Linha Direta

Paraíso dos turistas europeus, Tunísia perde visitantes por causa da ameaça terrorista

Áudio 04:45
Depois de dois atentados terroristas, Tunísia tenta recuperar seus turistas.
Depois de dois atentados terroristas, Tunísia tenta recuperar seus turistas. REUTERS/Amine Ben Aziza

A Tunísia foi alvo no primeiro semestre deste ano de dois violentos atentados terroristas que tiveram turistas estrangeiros como principais vítimas. Os episódios afugentaram os visitantes, que representam uma parte importante da economia do país, berço da chamada Primavera Árabe. Alguns operadores de viagens chegaram a ter todos os pacotes cancelados para a alta temporada de verão, que acontece nesse momento.

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De Túnis, Sandro Fernandes, correspondente da RFI

No dia 18 de março, 22 pessoas, quase todos turistas europeus, foram mortos dentro do famoso Museu Bardo, na capital do país, Túnis. Já no dia 27 de junho, 39 morreram em um ataque terrorista na cidade de Sousse, um conhecido destino de resorts na Tunísia. O país sentiu imediatamente as consequências dos dois episódios. Em Cartago e Sidi Bou Said, cidades que ficam a poucos quilômetros da capital e costumavam ser dois polos importantes de turistas, estavam praticamente vazias esta semana, em plena alta temporada turística. Mesmo à noite, depois do jejum do Ramadã, quando normalmente, nesta época do ano, haveria disputa para conseguir uma mesa em qualquer café e restaurante da cidade.

A indústria turística representa 7% do PIB tunisiano e é responsável por 15% do mercado de trabalho direito ou indireto do país. A operadora de turismo britânica Thomas Cook afirma que todos os voos e pacotes vendidos para a Tunísia estão cancelados até o dia 31 de outubro deste ano. Países como Reino Unido, Irlanda e Dinamarca pediram, oficialmente, que seus cidadãos saiam da Tunísia. O Ministério de Interior britânico disse que há “grandes probabilidades” de mais ataques.

Autoridades teme ação de radicais islâmicos

As autoridades acreditam que os radicais islâmicos estão entrando no país pela Líbia e por isso anunciaram no início do mês a construção de um muro na fronteira entre a Tunísia e a Líbia, no intuito de controlar melhor o fluxo de quem entra pelo país vizinho. Já em junho foi aprovada uma lei que obriga que os cidadãos estrangeiros no país, que estejam hospedados em casas particulares, sejam registrados na polícia pela pessoa que hospeda ou aluga a casa. O objetivo da medida é impedir que qualquer um entre na Tunísia e consiga se hospedar sem nenhum tipo de controle e que criem células de formação de terroristas.

Esta sexta-feira marca o fim do Ramadã para o mundo muçulmano e um dia em que as pessoas se aglomeram em espaços públicos e mesquitas para celebrar a festa religiosa. Por conta da ameaça terrorista, as ruas da Tunísia estão com a segurança reforçada.
 

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