Pecuaristas franceses mantêm protestos, apesar de plano de ajuda do governo

Pecuaristas bloqueiam as estradas francesas para protestar contra as medidas do governo para ajudar a categoria que eles consideram insuficientes.
Pecuaristas bloqueiam as estradas francesas para protestar contra as medidas do governo para ajudar a categoria que eles consideram insuficientes. REUTERS/Jacky Naegelen

A dificuldade do governo francês em conter o protesto dos pecuaristas é o principal destaque da imprensa francesa desta quinta-feira (23). Apesar do plano de ajuda à categoria, anunciado ontem (22) pelo ministério da Agricultura, os pecuaristas continuam descontentes e bloqueando várias estradas do país.

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Le Figaro informa que o plano de emergência de € 600 milhões, anunciado ontem pelo governo, não conseguiu acalmar os pecuaristas. Após o anúncio do pacote de medidas, algumas barreiras rodoviárias instaladas no início do movimento de protesto na segunda-feira (20) em torno da cidade de Caen, no noroeste do país, foram retiradas. Mas outras estradas, principalmente na região de Lyon, no sudeste, foram bloqueadas.

Segundo o jornal conservador, o plano do governo socialista não resolve a essência da grave crise no setor, provocada entre outras coisas pela concorrência internacional e pelos baixos preços pagos aos produtores. A única novidade é o alívio fiscal e social de pecuaristas endividados, que representa € 100 milhões do pacote de medidas.

O plano é criticado pela oposição e a mobilização continua forte. Além das barreiras rodoviárias, os pecuaristas prometem ações contra abatedouros, indústrias e distribuidores, acusados de não respeitar o preço mínimo da carne ao produtor, negociado em junho, aponta Les Echos. Os produtores de leite também devem aderir ao movimento.

Governo defende plano

Nas páginas de Libération, o ministro francês da Agricultura, Stéphane Le Foll, diz que o objetivo do plano é ajudar imediatamente 20 mil empresas rurais em dificuldade. A longo prazo, no entanto, a meta é lutar contra a volatilidade da cotação da carne, provocada pela globalização, e aumentar o preço pago ao produtor.

Ao contrário das críticas, Stéphane Le Foll garante que o projeto é preservar as pequenas fazendas, que atenderiam ao mercado local, assim como as médias e as grandes fazendas, destinadas ao mercado nacional e à exportação.

Consumir made in France

Outra preocupação é aumentar o consumo interno, em queda constante há vários anos. O presidente François Hollande pediu aos consumidores para privilegiar produtos nacionais, escreve Aujord'hui en France. "Mas por que se come tão pouca carne de origem francesa no país?", questiona o diário.

As famílias já consomem majoritariamente produtos bovinos nacionais, mas o problema são os grandes clientes, como cantinas escolares e restaurantes de empresas, que compram produtos importados mais baratos. Nessa lei da oferta e da procura, o patriotismo alimentar sugerido pelo governo não vai mudar nada, afirma Aujourd'hui en France.

A crise atual não é apenas financeira. O modelo agrícola francês vacila porque não soube se adaptar às novas normas ecológicas, à globalização e nem à evolução do gosto dos consumidores, critica o diário.
 

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