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Fato em Foco

Interesses econômicos incentivam reaproximação de Cuba e EUA

Áudio 04:53
Cubanos estendem bandeiras de seu país em edifícios próxinos à Embaixada americana em Havana, em foto de 12 de agosto de 2015.
Cubanos estendem bandeiras de seu país em edifícios próxinos à Embaixada americana em Havana, em foto de 12 de agosto de 2015. REUTERS/Alexandre Meneghini
Por: Patricia Moribe
8 min

Depois de 54 anos de relações bilaterais congeladas, Cuba e Estados Unidos reatam laços. O secretário de Estado John Kerry foi até Havana nesta sexta-feira (14) participar da cerimônia de reabertura da embaixada americana no país. É o primeiro representante da diplomacia norte-americana a se deslocar até a ilha caribenha desde 1945.

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As relações diplomáticas entre os dois países foram retomadas oficialmente no último dia 20 de julho, após anúncios praticamente simultâneos feitos por Barack Obama e Raúl Castro, hoje representantes de ex-ferrenhos adversários durante a Guerra Fria.

Para Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo, trata-se da queda do penúltimo muro da Guerra Fria, só restando a Coreia do Norte como defensora de um comunismo radical. “Os Estados Unidos reafirmam influência em uma região na qual a presença chinesa tem crescido muito”, diz Cristina. “E é um recado para o Brasil também”, acrescenta.

Marcos Alan Ferreira, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba, destaca que “Cuba vai ser reinserida em importantes esferas de organizações internacionais, como a Organização dos Estados Americanos, a OEA”. Como efeito colateral, Ferreira cita o enfraquecimento de governos mais esquerdistas da América Latina, “que utilizam a questão cubana como recurso retórico para se contrapor aos Estados Unidos, como é o caso da Venezuela ou Nicarágua”.

Interesses derrubam barreiras

O fim do embargo econômico contra Cuba vai ser decidido pelo Congresso americano, de maioria republicana. Mas como indicam nossos entrevistados, os interesses econômicos devem derrubar as últimas barreiras da reaproximação entre Cuba e Estados Unidos.

Para Havana, o fim do embargo econômico significa também a possibilidade de receber remessas de cubanos vivendo no exterior, o que pode dinamizar a economia local. Já para os Estados Unidos, lembra Marcos Alan Ferreira, há dois setores que podem se beneficiar muito dessa reaproximação: o setor agrícola do meio Oeste, que sonha com o potencial de Cuba como importador, e o turismo – hoje a exploração das paradisíacas praias cubanas está nas mãos de redes europeias.
 

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