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Linha Direta

Dia do Perdão é comemorado em clima de tensão em Israel

Áudio 04:03
Yom Kippur, o Dia do Perdão, é a mais importante e sagrada festividade do Judaísmo
Yom Kippur, o Dia do Perdão, é a mais importante e sagrada festividade do Judaísmo REUTERS/Nir Elias
8 min

Começa nesta terça-feira (22) uma semana de celebrações religiosas importantes no Oriente Médio. Os judeus celebram o Dia do Perdão, ou Yom Kippur, a data mais solene do calendário judaico, quando costumam jejuar. E os muçulmanos começam a preparar hoje, com o início da peregrinação à Meca, a festa do sacrifício (Eid al-Adha). A comemoração será tensa em meio aos incidentes de violência em Jerusalém e na Cisjordânia e o alerta foi elevado em todo o país diante para evitar novos confrontos.

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Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

O clima é de tensão e expectativa em Israel e nos territórios palestinos. Teme-se que haja confusão hoje por causa do Yom Kippur, o Dia do Perdão, data mais importante do Judaísmo, que começa nesta terça-feira ao anoitecer e termina amanhã (23) no fim da tarde. Nesse dia, pela tradição religiosa, os judeus jejuam para expiar seus erros.

A polícia israelense está de prontidão para evitar confrontos, principalmente em Jerusalém, onde, conflitos entre manifestantes palestinos e forças de segurança são registrados há uma semana. Durante esta madrugada, um palestino morreu em Hebron em meio a embates entre civis e soldados. E hoje de manhã, uma palestina de 18 anos ficou ferida ao tentar esfaquear um soldado num posto de controle da Cisjordânia.

Fronteiras fechadas

O exército já avisou que vai fechar as fronteiras com a Cisjordânia durante o feriado, como é de praxe. Jovens palestinos, alguns com apenas 10 anos de idade, têm lançado pedras e bombas caseiras contra policiais, soldados e civis israelenses desde a semana passada. Foram registrados 187 casos de lançamento de pedras e 45 de bombas caseiras. Um dos ataques levou à morte de um homem de 64 anos, cujo carro foi apedrejado e sofreu um acidente.

Especialistas se perguntam se já é possível definir a inquietação em Jerusalém, que também se espalha pela Cisjordânia, como uma nova intifada, ou seja, uma nova revolta popular palestina contra Israel. A última aconteceu entre 2000 e 2005.

Causas da nova escalada da violência

A base dessa tensão são os boatos de que Israel estaria pensando em cancelar o status quo na Esplanada das Mesquitas, terceiro local sagrado dos muçulmanos. A esplanada é chamada pelos judeus de Monte do Templo, porque lá ficavam os templos de Salomão e Herodes. Todo esse complexo fica adjacente ao Muro das Lamentações, visitado por milhões de turistas e sagrado para os judeus.

Atualmente, a Esplanada das Mesquitas é controlada pela Jordânia, num acordo feito entre Israel e os jordanianos desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Pelo status quo, só muçulmanos podem rezar na Esplanada. Judeus e cristãos podem até visitar local, mas não podem orar.

Os palestinos acusam Israel de limitar a entrada de fiéis muçulmanos no complexo ao mesmo tempo em que aumenta a quantidade de visitas de judeus ao local. Hoje, por exemplo, mulheres podem entrar livremente, mas homens, só os que têm mais de 40 anos.

A polícia afirma que a medida – que costuma ser tomada em feriados judaicos – tem o objetivo de evitar confrontos. Israel garante que não tem a menor intenção de cancelar o status quo, mas ativistas islâmicos acreditam que o país quer destruir as mesquitas e construir um novo Templo Judaico.
 

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