Imprensa francesa

Governo brasileiro "admite fracasso" do rombo no orçamento, diz imprensa francesa

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em 27 de outubro de 2015.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em 27 de outubro de 2015. REUTERS/Paulo Whitaker

A nova revisão do orçamento brasileiro, que está longe de cumprir as metas fixadas pelo governo no início do ano, é notícia na imprensa francesa desta quinta-feira (29). Para o jornal econômico francês Les Echos, a crise política é uma das explicações para o fracasso do governo em atingir seus objetivos orçamentários para 2015.

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"É admitir o fracasso", diz o jornal ao comentar o anúncio de que o governo brasileiro não vai atingir sua meta orçamentária este ano. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, prevê agora um déficit primário de R$ 52 bilhões, ou seja, quase 1% do PIB do país.

Les Echos lembra que quando assumiu o cargo, Levy tinha como objetivo um superávit primário de 1,2% do PIB, antes de ter revisado essa meta pela primeira vez em julho para 0,15% do PIB.

Para o país, é "uma verdadeira descida ao inferno". O diário destaca o comentário da agência Moody's de que a "nova revisão compromete ainda mais a já abalada credibilidade do governo em relação a metas orçamentárias e ainda pode reforçar o atual cenário deprimente da economia".

Bomba no colo de Levy

Segundo o artigo, o ministro Joaquim Levy está pagando o preço pela recessão e pelo impasse político no Brasil. Durante muito tempo, o ministro da Fazenda tentou ser pedagógico com os parlamentares ao explicar a necessidade de reformas, mas agora ele mudou o tom e está mais dramático, ao insistir que o país "não pode mais perder tempo".

Les Echos destacou a frase de Levy em que ele diz: "o tecido econômico ainda não está desorganizado, mas há limites. É preciso ter coragem para chacoalhar as estruturas da economia".

Segundo o diário econômico francês, Levy tem dificuldades de passar seu recado em Brasília, núcleo político do país que vive sob o impacto dos escândalos da Petrobras e a ameaça de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

País vive paradoxo

O Brasil, segundo Les Echos, vive um paradoxo, já que o pedido de destituição da presidente depende do sinal verde do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que é alvo de acusações de ter dinheiro sujo na Suíça.

O Petrolão, lembra o jornal, comprometeu o PIB brasileiro em pelo menos dois pontos, segundo estimativas do próprio ministério da Fazenda. A crise também desorganizou todo o setor petrolífero, além de ter provocado um impacto negativo também em outro setor importante da economia brasileira, o da construção civil.

Ouvido pelo Les Echos, o presidente da Câmara do Comércio França-Brasil, Roland de Bonadona, estima que a economia brasileira pode "superar a crise, mas o caminho a trilhar é longo".
 

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