ONU/COP21

Tragédias climáticas causaram 600 mil mortes em 20 anos, aponta ONU

Indianos carregam seus pertences em meio a enchente, em agosto deste ano
Indianos carregam seus pertences em meio a enchente, em agosto deste ano REUTERS/Rupak De Chowdhuri
Texto por: RFI
3 min

Nos últimos 20 anos, as catástrofes naturais mataram mais de 600 mil pessoas, anunciou a Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira (23). Para evitar que se concretize um prognóstico ainda pior para as próximas décadas, é preciso que um acordo seja assinado na COP 21, já que as mudanças climáticas aumentam a incidência de eventos extremos como furacões, enchentes e secas. A Conferência da ONU sobre o Clima reúne chefes de Estado e governo em Paris de 30 de novembro a 11 de dezembro.

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Desde 1995, "as tragédias meteorológicas tomaram 606 mil vidas, uma média de 30 mil por ano, e deixaram mais de 4,1 bilhões de pessoas feridas, desabrigadas ou necessitadas de uma ajuda de emergência", indicou o Escritório das Nações Unidas para a Redução dos Riscos de Catástrofes (UNISDR, na sigla em inglês) em um relatório. A imensa maioria das mortes (89%) foi registrada em países pobres. As inundações representaram 47% das tragédias meteorológicas entre 1995 e 2005, mataram 242 mil pessoas e afetaram 2,3 bilhões - 95% na Ásia.

"O conteúdo deste relatório destaca porque é tão importante que um novo acordo sobre as mudanças climáticas surja da COP 21 em Paris em dezembro", afirmou a diretora da UNISDR, Margareta Wahlstrom, na apresentação do documento. O objetivo da conferência é que os 195 países adotem, com aval da ONU, um acordo mundial que possibilite frear o aquecimento do planeta, mantendo a temperatura 2 graus Celsius acima da era pré-industrial.

Intensificação das catástrofes

De acordo com o relatório, "as catástrofes climáticas estão cada vez mais frequentes, sobretudo as inundações e tempestades". Ainda que os cientistas não sejam capazes de comensurar em que medida o aumento dos fenômenos extremos se deve à mudança climática, a ONU adverte que essa progressão deve continuar nas próximas décadas. Mas foram justamente os países que mais poluem, Estados Unidos e China, que registraram o maior número de tragédias, ainda que o estudo ressalve que isso possa se dever principalmente à extensão de seus territórios.

China e Índia são os países cuja população foi mais afetada em números absolutos, seguidos por Bangladesh, Filipinas e Tailândia. Nas Américas, os brasileiros foram os que mais sofreram com os eventos extremos, enquanto na África, Quênia e Etiópia tiveram o maior número de vítimas.

"A mudança climática, a variabilidade climática e os fenômenos meteorológicos constituem uma ameaça à erradicação da extrema pobreza", explicou Wahlstrom, pedindo que, entre outras medidas, os membros da ONU reduzam suas emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, melhorem a urbanização de seus territórios e impeçam a degradação do meio ambiente.

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