Paris/ COP21

Rascunho do acordo da COP21 mantém incertezas sobre financiamento

Participante da COP21 lê mensagens escritas para líderes dos países presentes na Conferência do Clima.
Participante da COP21 lê mensagens escritas para líderes dos países presentes na Conferência do Clima. REUTERS/Jacky Naegelen

Um novo rascunho do projeto de acordo da COP21, a Conferência do Clima de Paris, foi apresentado nesta quinta-feira (3) pela presidência do evento. Mas em três dias, os negociadores não avançaram na questão do financiamento das ações contra as emissões de gases nos países em desenvolvimento, uma das mais delicadas.

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Restam cerca de 250 detalhes a serem definidos pelos negociadores dos 196 países que participam da conferência. O documento agora tem 50 páginas, em vez das 55 do início da semana. Embora o texto esteja mais conciso, por enquanto ainda não há avanços nos principais pontos de bloqueio das negociações.

Os países pobres e emergentes têm demonstrado insatisfação com a demora dos ricos em disponibilizar os recursos financeiros prometidos. Na quarta-feira, o grupo G77 + China, que reúne as nações em desenvolvimento, divulgou um comunicado para denunciar que as propostas sobre o apoio financeiro precisa ser esclarecida.

“É uma obrigação legal deles. Não se trata de assistência ou de caridade, e não pode ser confundida com a assistência ao desenvolvimento”, argumentou Nozipho Mxakato Diseko, embaixadora sul-africana e presidente do G77 + China. “O apoio financeiro dos países desenvolvidos deve compensar os impactos das emissões históricas deles.”

Promessas não cumpridas e aumento das exigências

Na cúpula de Copenhague, em 2009, os países desenvolvidos haviam prometido US$ 100 bilhões de euros para os mais pobres até 2020. Por enquanto, cerca 60% desses recursos já foram sinalizados. A demora impacta no financiamento pós-2020, ano em que começará a valer o acordo negociado em Paris. Para sair do impasse, os países desenvolvidos insistem para que os emergentes, como o Brasil e a China, aumentem as suas contribuições.

A expectativa da presidência da COP21, exercida pela França, é que o projeto de acordo esteja concluído até sábado (5). Na semana que vem, será a vez de os ministros dos países participantes tomarem as decisões finais sobre o acordo de Paris, que deve ser anunciado na noite de 11 de dezembro.

Financiamento para transporte menos poluente

Nesta manhã, oito bancos multilaterais de desenvolvimento, como o Banco Mundial, se comprometeram a apoiar projetos de modernização dos transportes em grandes cidades, rumo a alternativas menos poluentes. Os financiamentos de projetos, em vigor desde 2012, chegam a US$ 175 milhões até 2022.

Os transportes geram 23% de todo o CO2 emitido no mundo e consomem 60% do total de petróleo. Segundo a UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas paras Mudanças Climática), quase a totalidade (96%) dos meios de transporte usam energias fósseis, as mais poluentes. Nas grandes metrópoles, os transportes são a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa.

O setor é visto como chave para a redução mundial de emissões de gases de efeito estufa, para que seja possível limitar o aumento da temperatura do planeta em 2°C até o final do século. A ONU adverte que, se nada for feito, em 2050 um terço das emissões virá dos transportes, devido ao aumento da demanda pelo serviço.

Em um painel nesta quinta-feira, ministros de vários países, prefeitos e dirigentes de grandes empresas do setor debateram as alternativas para poluir menos. Eles apresentaram 10 iniciativas para promover um transporte mais limpo.

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