Imprensa destaca Natal sob tensão e alta segurança na França

Forças de segurança protegem locais de grande aglomeração de pessoas neste fim de ano, especialmente igrejas e locais de culto.
Forças de segurança protegem locais de grande aglomeração de pessoas neste fim de ano, especialmente igrejas e locais de culto. REUTERS/Jacky Naegelen

Com a notícia de mais um atentado desmantelado, anunciado nesta terça-feira (22) pelo ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, os jornais desta quarta-feira (23) falam de como ameaça terrorista na França pode estragar as festas de Natal e Ano Novo no país.

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"Esse vai ser um Natal e um Ano Novo sob alta segurança", diz o diário Aujourd'hui en France. O jornal ressalta que o ministério do Interior mobilizou 300 mil policiais em toda a França, responsabilizados de proteger igrejas, templos e mesquitas.

Bernard Cazeneuve garante que os franceses não têm o que temer neste fim de ano. Mas não esconde sua preocupação com a concentração de pessoas em igrejas e locais de culto, sejam eles, católicos, judeus ou muçulmanos, que podem ser um chamariz para os terroristas.

Imprensa contesta projeto de lei

Já o jornal Libération de hoje traz artigos de especialistas na questão do terrorismo e analisa a política do governo do presidente francês François Hollande para combater a radicalização de jovens, o projeto de lei que prevê inscrever o estado de emergência na Constituição sobre e retirar a nacionalidade francesa dos cidadãos com duplo passaporte envolvidos em atividades extremistas.

Em uma coluna publicada pelo diário progressista, o professor de direito público da Universidade Paris 1 Panthéon Sorbonne, Paul Cassia, acredita que essas iniciativas não impedirão que novos atentados terroristas sejam perpetrados na França. Segundo ele, abandonar esse projetos "seria uma prova de racionalidade, tendo em vista que o combate ao terrorismo não passa por reformas jurídicas". "Mas é verdade que quando não sabemos o que fazer, podemos revisar a Constituição", alfineta o especialista.

A mesma questão é analisada pelo jornal econômico Les Echos. Para o diário, além da constitucionalização do estado de emergência, é preciso avaliar a eficácia desta proposta na luta contra o terrorismo. Muitas associações de direitos humanos e parlamentares protestam contra a medida, que julgam desproporcional.

Intervenção militar na Líbia

Por fim, o conservador Le Figaro defende que para combater o terrorismo na França, uma intervenção militar na Líbia é indispensável. O país vive há meses um grave caos político e vem se tornando o novo reduto dos jihadistas.

O diário ressalta que o governo francês tenta manter a discrição sobre a questão, mas que operações militares europeias em solo líbio devem ser lançadas daqui a cerca de seis meses. Os planos da França incluiriam uma coalizão com o Reino Unido e a Itália, publica Le Figaro.

Segundo o jornal, Paris começou a considerar a urgência da intervenção no final de novembro, quando voos de reconhecimento sobre o território da Líbia mostraram a expansão dos territórios do grupo Estado Islâmico a apenas algumas centenas de quilômetros do litoral europeu.

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