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A Semana na Imprensa

Política neoliberal pode levar ministro à presidência da França?

Áudio 03:05
"E por que não ele", questiona a revista Le Point, sobre a possível candidatura do ministro da Economia, Emmanuel Macron, para a presidência francesa.
"E por que não ele", questiona a revista Le Point, sobre a possível candidatura do ministro da Economia, Emmanuel Macron, para a presidência francesa.
Por: Silvano Mendes
7 min

As revistas semanais francesas preferiram dar uma trégua para suas edições impressas entre Natal e Ano Novo e muitas delas optaram por se concentrar apenas nas versões online. Das publicações semanais habituais, apenas M, do jornal Le Monde, e Le Point chegaram às bancas nesse período entre dois feriados. Se a publicação do vespertino dá destaque para a atriz australiana Cate Blanchett, que estreia nos cinemas franceses em janeiro com o filme Carol, de Todd Haynes, Le Point preferiu atacar um tema mais denso: a política e a economia da França e, principalmente, a popularidade do ministro francês da Economia, Emmanuel Macron.

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Com a manchete de capa "Macron, e por que não ele ?", Le Point traz um completo dossiê de 12 páginas sobre o jovem ministro, que está balançando as estruturas do governo socialista, com ideias vistas por muitos como neoliberais. Aos 38 anos e vindo do mundo das finanças, Macron "transgride os códigos políticos", diz Le Point, em alusão aos projetos do ministro, que tenta flexibilizar as leis trabalhistas, facilitar a vida dos empreendedores, cortar benefícios dos funcionários públicos e até mesmo banalizar a abertura do comércio aos domingos, verdadeira heresia na França, país dos poderosos sindicatos e das 35 horas de trabalho semanais.

Para Le Point, Macron faz parte de uma nova geração de políticos que não se define nem como de direita nem como de esquerda. No entanto, ressalta a publicação, apesar das ideias teoricamente incompatíveis com um ministro membro de um governo socialista, Emmanuel Macron goza de uma popularidade que não para de subir. Ele lidera várias pesquisas de opinião e, segundo uma delas, um terço dos entrevistados o veem como um bom presidente da República.

Recentemente, ao ser questionado sobre seu futuro profissional, o ministro disse que a única coisa que tinha certeza é de que não estará mais na política daqui 30 anos. Macron só esqueceu de dizer o que pretende fazer até lá, e muitos se perguntam se o jovem ministro não estaria de olho nas eleições presidenciais de 2017.

Além da longa reportagem, Le Point lembra em editorial que mesmo se a economia francesa vive um marasmo, os possíveis presidenciáveis, tanto de esquerda como de direita, evitam falar sobre o assunto, e preferem se concentrar em temas como imigração, para a extrema-direita, e luta contra o terrorismo, para os socialistas no poder. No entanto, lembra o editorial, na horas de votar, a principal preocupação dos eleitores é com o bolso e as considerações sobre a economia acabam pesando nas urnas.

A revista ressalta que foi assim que Bill Clinton venceu George W. Bush nos Estados Unidos, e que Angela Merkel e David Cameron conseguiram se reeleger na Alemanha e no Reino Unido. Já do lado da França, mesmo se em seu discurso de Ano Novo o presidente François Hollande disse que sua prioridade é a luta contra o terrorismo e o desemprego, os temas econômicos nem sempre são os primeiros tratados e Macron poderia ter uma chance de entrar nessa brecha.

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