O que falta esclarecer sobre os ataques jihadistas do Charlie Hebdo

Imagens dos irmãos Kouchi após o ataque ao Charlie Hebdo.
Imagens dos irmãos Kouchi após o ataque ao Charlie Hebdo. REUTERS/Reuters TV

Para marcar um ano do atentado contra o Charlie Hebdo, o jornal Le Figaro desta quinta-feira (7) revive as 72 horas que fizeram a França "mergulhar no horror" e lembra os vários pontos da investigação que ainda precisam ser esclarecidos.

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Le Figaro relembra em detalhes as ações dos irmãos Chérif e Saïd Kouachi, que atacaram o Charlie Hebdo e de Amédy Coulibaly, que matou uma policial em Montrouge e no dia 9 de janeiro invadiu um supermercado judaico na região leste de Paris.

"O dia em que os jihadistas declararam guerra", escreveu o jornal em sua manchete para resumir o significado para a França do dia 7 de janeiro de 2015.

Um ano depois, o processo tem 52 volumes, cerca de 19.900 páginas e centenas de depoimentos, mas muitas dúvidas persistem. Quem foi o mandante, ou os mandantes, dos atentados? A pergunta ainda é o ponto central das investigações, segundo o diário.

Os irmãos Kouachi reivindicaram o ataque em nome do braço da rede Al-Qaeda na Península Árabe (AQPA), enquanto Coulibaly deixou um vídeo póstumo afirmando pertencer ao grupo Estado Islâmico. Investigações no computador e no telefone deste último jihadista confirmaram uma troca de mensagens com um interlocutor, ainda não identificado, que o orientou a por em prática "o que teria que fazer".

Le Figaro indicou que há pelo menos três nomes de suspeitos de ter trocado as mensagens com Coulibaly, entre eles, Peter Chérif, de 33 anos, que fazia parte da mesma rede integrada pelos irmãos Kouachi.

Arsenal de guerra

Na lista de pontos ainda a serem esclarecidos, de acordo com o jornal, está a origem das armas usadas pelos terroristas, um arsenal "como quem parte para a guerra". A polícia está convicta de que Coulibaly ajudou os irmãos Kouachi a terem acesso a armas e nomes de traficantes atuando na Bélgica aparecem na lista dos suspeitos.

Outra dúvida persistente é sobre a participação de eventuais cúmplices. Nenhum suspeito esteve envolvido na ação dos irmãos Kouachi contra o Charlie Hebdo, mas quatro já foram identificados no apoio logístico a Coulibaly. O perfil deles, afirma Le Figaro, demonstra a dificuldade em separar a criminalidade comum da mobilização terrorista.

O que ainda resta a esclarecer é porque Amédy Coulibaly agiu sozinho. Após ele ter assassinado uma policial em Montrouge ele recebeu a seguinte mensagem: "Não é possível amigos, trabalhar sozinho". A investigação poderá levar meses ou anos, declarou uma fonte judiciária ao jornal.

Segurança do Charlie Hebdo

O último ponto levantado por Le Figaro é sobre eventuais falhas de segurança da sede do jornal satírico. A viúva do guarda-costas do cartunista Charb, morto no ataque, entrou com queixa na polícia para denunciar as falhas de segurança apontadas por seu marido.

Le Figaro lembra que três meses antes do ataque, um jornalista de uma produtora localizada no mesmo prédio do Charlie Hebdo comentou ter sido abordado por um homem que perguntou sobre o endereço da redação. Depois do atentado, ele foi identificado como Chérif Kouachi.

O ministério do Interior considerou o esquema de segurança dos diretores da publicação adequado em relação às ameaças. Mas hoje, escreve o jornal, o atual diretor do Charlie Hebdo, Riss, vive cercado por cinco guarda-costas.
 

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