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A Semana na Imprensa

Vinte anos após sua morte, ex-presidente Mitterrand é cultuado na França

Áudio 03:18
O ex-presidente francês, François Mitterrand.
O ex-presidente francês, François Mitterrand. mitterrand.org
Por: Adriana Brandão
8 min

A imagem do ex-presidente François Mitterrand na França, vinte anos após sua morte, é analisada pelas revistas francesas desta semana. A data é celebrada nesta sexta-feira (8), em Jarnac, no sudoeste do país, onde o primeiro presidente socialista francês está enterrado. "Um aniversário de morte 100% político", que revela "20 anos de culto ao mitterrandismo", afirma a L'OBS.

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Mitterrand governou a França durante 14 anos, de 1981 a 1995. Ele morreu de câncer, aos 80 anos, menos de um ano após ter deixado o poder. Desde então, qualquer líder socialista em busca de legitimidade visita seu túmulo e este ano, véspera de ano eleitoral, não podia deixar de ser diferente.

A família PS em peso, liderada por François Hollande, homenageia o ex-presidente. Hollande, o primeiro sucessor socialista de Mitterrand no Palácio do Eliseu, sonha "com uma improvável reeleição em 15 meses". Para isso, "defende a unidade nacional diante do terrorismo e tenta ressuscitar o tema da 'França Unida' que garantiu o segundo mandato de Mitterrand em 1988”, escreve a revista. Relembrando a figura de monarca, eternamente associada ao ex-presidente socialista, L'OBS alerta que o risco é “a nostalgia de François I apagar ainda mais a imagem de François II.”

O fantasma do monarca ainda deslumbra

A figura do monarca, ou melhor do "fantasma do monarca", também é destacada pelaL'Express. A revista dá um panorama dos vários livros que foram publicados agora para comemorar os 20 anos sem Mitterrand. O ex-presidente "atrai menos as multidões, mas continua fascinando; a curiosidade sobre ele diminuiu, mas a nostalgia aumentou, tamanha é a desorientação da esquerda francesa", salienta a matéria.

Jack Lang, um dos ministros emblemáticos do socialista, assina um "Dicionário Amoroso de François Mitterrand". Ele assume sua admiração inabalável pelo mentor e confirma o sentimento de nostalgia no país.

"A comparação com seus sucessores acentua a superioridade intelectual e política do quarto presidente da quinta República francesa", acredita L'Express. Única exceção, ou duelo que vale a pena, é com o general e presidente Charles De Gaulle. Apesar de ideologias diferentes, os dois políticos simbolizam uma única França.

Ao menos oito obras chegam às livrarias relembrando as polêmicas e os segredos que envolveram Mitterrand e revelando novos dados sobre a vida do ex-líder socialista. Entre os segredos conhecidos, a dupla família e a filha ilegítima, Mazarine Pingeot, e o passado de colaborador com o regime de Vichy, aliado dos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Entre as recordações que incomodam, diz L'Espress, está a coroa de flores depositada pelo ex-presidente no túmulo do marechal Pétain, líder da França colaboracionista. A homenagem aconteceu poucos meses após Mitterrand ter enfim conseguido classificar como unidade combatente da Resistência um movimento de prisioneiros que ele tinha fundado em Vichy, visando ofuscar seu passado.

Os escândalos de corrupção e o amigo de Mitterrand

Outras revelações estão no livro "Un si cher ami", Um caro amigo em português, que conta a longa amizade de Mitterrand com o empresário Patrice Pelat, envolvido em escândalos de corrupção. Antes de chegar à presidência, o socialista recebeu, sem trabalhar, mesadas que totalizaram 293 mil francos, cerca de 45 mil euros, do amigo. No poder, ele favoreceu Pelat, que viu sua fortuna se multiplicar, e usou todo o aparato do Estado para livrar o amigo da Justiça. "Com os anos, eles se transformaram em cúmplices de escândalos de Estado. Um amava o dinheiro, o outro, o poder. Eles foram feitos para se entender", conclui Le Point.

 

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