Europa pode considerar China economia de mercado

Europeus estão preocupados com a mudança de status da China para economia de mercado.
Europeus estão preocupados com a mudança de status da China para economia de mercado. REUTERS/Aly Song/Files

A perspectiva da Comissão Europeia de reconhecer a China como uma economia de mercado é o assunto em destaque desta quarta-feira (13) do jornal Le Figaro. Caso essa hipótese se confirme, o gigante asiático irá destruir milhões de empregos na Europa, de acordo com o diário francês.

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A partir de hoje, Bruxelas começa a analisar um dossiê de aparência tecnocrática e jurídica, mas que é potencialmente explosivo sob os aspectos político e econômico. A China é uma economia de mercado? Essa é a questão que divide muitos europeus, segundo o jornal.

Teoricamente, 15 anos depois de ter sua adesão confirmada pela Organização Mundial de Comércio (OMC), Pequim tem direito de ser tratada como uma economia de mercado, o que não é o caso atualmente. Isso significa, lembra Le Figaro, que barreiras alfandegárias que protegem produtos europeus da concorrência chinesa tendem a desaparecer até o final do ano.

Desta forma, o risco é de uma avalanche de produtos "Made in China", fortemente subsidiados, inundarem o mercado europeu. As consequências seriam catastróficas para o emprego. Só na França serão suprimidos 300 mil empregos, prevê o jornal conservador.

Ameaças para as indústrias

O capitalismo de estado chinês é considerado uma "economia não de mercado" (NME, na sigla em inglês), ou seja, que não é regida pelos princípios de uma economia de livre mercado. A qualificação da OMC não agrada as autoridades chinesas, que se sentem humilhadas.

No entanto, diz a reportagem, a mudança significa que os países ocidentais ficarão impedidos de aplicar um arsenal de medidas antidumping e antisubsídios, que são usadas contra as empresas chinesas que "derrubam" os preços dos produtos.

A China é alvo de 16 das 28 queixas lançadas pela União Europeia por "práticas comerciais desleais", diz o texto.

Setores afetados

Uma associação criada em 2014 para defender os interesses de várias empresas europeias de diferentes setores, considera a discussão sobre o status da China como economia de mercado um dos assuntos "mais críticos" para a indústria europeia. O porta-voz da Aegis Groupe, em entrevista ao Le Figaro, avalia que o modelo chinês, baseado na exportação e na supercapacidade de produção, é uma ameaça para todos os segmentos industriais europeus, dos carros elétricos aos produtos químicos.

Uma pesquisa citada por Le Figaro, feita pelo think thank americano Economic Policy Institute (EPI) calcula que entre 1,7 e 3,5 milhões de empregos diretos ou indiretos podem desaparecer na Europa. Os setores mais expostos são o de têxteis, eletrônicos, ótica e móveis.

A Comissão Europeia estima o impacto em somente 300 mil empregos, justificando que apenas setores protegidos pelas taxas antidumping serão afetados, ou seja, cerca de 1,38% das importações chinesas.

Os industriais europeus prometem lutar contra essa ameaça e consideram que a mudança do status da China para economia de mercado vai significar a exportações de empregos dos europeus para industriais que não respeitam regras ambientais ou trabalhistas.

 

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