Plano de Hollande contra o desemprego visa mascarar índices, diz imprensa

Agência de empregos do governo francês.
Agência de empregos do governo francês. PHILIPPE HUGUEN / AFP

O plano do presidente François Hollande para baixar o índice de desemprego na França está estampado em toda a imprensa francesa desta segunda-feira (18), dia em que o governo apresenta as medidas contra uma situação de “urgência econômica e social”.

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Le Figaro considera o plano uma plataforma eleitoral para François Hollande disputar a reeleição. É o tudo ou nada, já que uma nova candidatura dele à presidência francesa depende do número do desemprego, avalia. Desde que o socialista assumiu o cargo, em 2012, o índice bateu recordes, com um aumento de 650 mil pessoas na lista do desemprego, afirma a reportagem.

Segundo Le Figaro, antes mesmo da divulgação, a série de medidas já é fortemente contestada. Entre elas, as 500 mil formações profissionais para quem está à procura de trabalho.

Outras medidas polêmicas citadas pelo jornal: a ajuda de € 2 mil para as pequenas e médias empresas que contratarem novos trabalhadores e o relançamento de um programa de aprendizagem para permitir aos jovens ter acesso mais fácil ao mercado de trabalho.

No total, o plano vai custar € 2 bilhões para os cofres públicos. As propostas desencadeiam muito ceticismo porque vão criar postos de trabalho temporários e diminuir artificialmente o número de desempregados, escreve Le Figaro.

Queda "a fórceps”

Libération também denuncia que as medidas irão contribuir mais para melhorar as estatísticas do que promover uma verdadeira redução do número de desempregados. É o que o jornal chama de "queda do desemprego a fórceps".

O jornal também lembra que Hollande prometeu só ser candidato à reeleição se houver uma queda consistente do desemprego no país. "Será que ele vai conseguir?", questiona. A resposta pode ser "sim" porque a economia dá sinais de uma leve melhora e o conjunto de medidas deve provocar uma queda, mesmo que limitada, da curva do desemprego.

Em editorial, Libération diz que o pessimismo francês é inesgotável e para os partidos de direita ou extrema-esquerda, seja qual for o resultado, a luta do governo já é considerada um fracasso. Mas, sonhemos um pouco, pede o jornal a seus leitores: se o índice de desemprego cair, mesmo timidamente, será uma boa notícia depois de tantos anos de sofrimento.

Situação de urgência

Les Echos diz que os anos passam e o objetivo de reduzir o índice do desemprego, lançado há quatro anos, continua o mesmo. Agora, como disse Hollande na mensagem de final de ano, a situação é de "urgência econômica e social". Por isso ele irá pedir mobilização geral do país.

Mas as receitas são antigas, lembra o diário especializado em economia. Les Echos revela um dado que ilustra a dificuldade do país: entre meados de 2013 e 2015, o setor privado criou apenas 57 mil postos de trabalho, enquanto no mesmo período a Alemanha gerou 482 mil empregos e a Espanha 651 mil.

No setor público, o inverso: 233 mil postos, bem acima da Itália e da Espanha, e somente 9 mil a menos que a Alemanha. Entre os motivos da pouca geração de empregos no setor privado estão a grande quantidade de regras, uma legislação trabalhista complexa, encargos sociais altíssimos e um salário mínimo considerado elevado.

 

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