Síria/Crise

Regime sírio libera envio de ajuda humanitária a cidades sitiadas

Ajuda humanitária foi levada a Madaya em 12 de janeiro de 2016.
Ajuda humanitária foi levada a Madaya em 12 de janeiro de 2016. handout / AFP

Cerca de 100 caminhões carregados com alimentos e medicamentos deverão sair de Damasco nesta quarta-feira (17) com destino a várias cidades sitiadas na Síria, onde os habitantes sobrevivem em situações consideradas dramáticas. O envio da ajuda humanitária foi confirmado por um responsável do Crescente Vermelho sírio.

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"Um comboio com 100 caminhões carregados de comida, farinha e medicamentos partirá hoje em direção a cidades sitiadas", declarou nesta quarta-feira o responsável do Crescente Vermelho sírio, Mouhanad al-Assadi.

Cerca de 40 caminhões chegarão a Mouadamiyat al-Chaum, uma cidade controlada pelos rebeldes perto de Damasco e sitiada pelo regime do presidente Bashar Al-Assad, segundo o responsável. Outros 35 caminhões irão a Madaya e Zabadani, duas cidades também nos arredores da capital e que se encontram cercadas pelas forças governamentais.

As cidades de Foua e Kafraya, localizadas na província de Idlib, no noroeste do país, deverão receber 23 caminhões com ajuda humanitária. Uma unidade móvel de saúde também será levada a Madaya, cidade onde os moradores morrem de fome e que se tornou símbolo do sofrimento da população civil nestes cinco anos de conflito.

ONU lembra "dever" do regime em liberar ajuda

O sinal verde do regime para a organização e envio de ajuda humanitária foi confirmado nesta terça-feira (16) pelo emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que se encontra em Damasco desde segunda-feira.

Na sequência, a Agência das Nações Unidas para Ajuda Humanitária (OCHA) confirmou as setes cidades escolhidas para receber mantimentos e remédios. Para chegar até a população desses locais, os caminhões terão que passar por áreas controladas pelo regime. Segundo Staffan de Mistura, esse primeiro comboio será um "teste". Ele lembrou às autoridades de Damasco o "dever" de "permitir que a ONU leve ajuda humanitária".

O regime sírio reagiu à declaração e estima que nem o emissário da ONU nem qualquer outra pessoa deve questionar a seriedade da Síria. "O governo sírio é que deve agora testar a credibilidade do emissário da ONU", indicou um responsável pelo ministério das Relações Exteriores à agência oficial Sana.

De acordo com as Nações Unidas, cerca de um milhão de pessoas estão seriamente ameaçadas de morte devido à falta de alimentos, eletricidade e água corrente.
 

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