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MST : “Segundo mandato de Dilma foi muito ruim, mas ainda é melhor que o governo Temer”

Áudio 05:54
João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do MST, nos estúdios da RFI.
João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do MST, nos estúdios da RFI. Elcio Ramalho/RFI
Por: Silvano Mendes

Enquanto o processo de destituição da presidente brasileira Dilma Rousseff avança no Brasil, militantes tentam explicar, dentro e fora o país, o que representa o impeachment da chefe de Estado. João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), está em Paris, onde participou de um colóquio no Senado francês, no qual explicou o momento atual da política brasileira e criticou o que considera um golpe. No entanto, em entrevista exclusiva à RFI, ele também não poupou críticas ao governo da presidente petista.

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O MST tem se mostrado claramente contra o impeachment e manteve sua opinião durante o colóquio Golpe de Estado no Brasil, quais solidariedades para os povos da América Latina?, organizado nesta sexta-feira (1°) pela senadora francesa Laurence Cohen, presidente do grupo interparlamentar da amizade franco-brasileira. Segundo o coordenador nacional do grupo, ainda há muita falta de informação sobre o tema. “A tarefa que nós temos, não só aqui, é explicar que houve um golpe no Brasil e que é extremamente importante a participação dos militantes e da sociedade, em solidariedade ao que está passando o governo brasileiro e a democracia do país”, explica.

No entanto, o representante do MST não esconde que a relação do grupo com o governo de Dilma Rousseff nem sempre foi das melhores. Em fevereiro deste ano, após o encontro da coordenação nacional do movimento, que reuniu mais de 400 dirigentes do grupo em Caruaru (PE), o MST enviou uma carta para à presidente na qual criticava abertamente sua gestão. Mas para Rodrigues, defender a petista agora não é uma contradição.

“O MST continua extremamente crítico ao governo da presidente Dilma. Porém, o mandato dela é legítimo até 2018, então queremos que isso seja respeitado. Mas vamos continuar pedindo que a presidente assuma os compromissos que fez em 2014, fazendo uma série de reformas, entre elas a agrária, que não foi feita. Mesmo assim, nós acreditamos que Dilma tem que continuar no poder, pois ela foi eleita com 54 milhões de votos, e não o golpista do Temer”, defende.

Além disso, ele estima que, mesmo se “o segundo mandato da presidente Dilma foi muito ruim, ele ainda estava longe do que está sendo feito pelo governo Temer”. Para o militante, o presidente interino está “destruindo direitos sociais”. Porém, segundo ele, “se a Dilma voltar, tem que mudar o governo. Não pode permanecer como estava antes”, analisa.

Otimista, o militante diz que o objetivo principal agora é “derrotar o governo golpista de Michel Temer na próxima batalha, possivelmente dia 27 de agosto, quando haverá a votação no Senado”. Apesar disso, Rodrigues explica que o MST já está preparando sua estratégia caso o processo de impeachment não termine com a volta de Dilma ao poder. “Vai ter luta todos os dias, organizadas por todos os trabalhadores. Não podemos reconhecer esse governo, pois ele é golpista”, finaliza.
 

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