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Jornal francês La Croix se interroga sobre morte de Teori

Artigo do jornal La Croix desta segunda-feira (23) comenta a morte do juiz Teori Zavascki.
Artigo do jornal La Croix desta segunda-feira (23) comenta a morte do juiz Teori Zavascki. REUTERS/Ueslei Marcelino/File photo
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O jornal católico La Croix, de esquerda, destaca em sua edição desta segunda-feira (23) a morte do juiz Teori Zavascki em um acidente aéreo na quinta-feira passada (19), lembrando que ele era o responsável pelas investigações da operação Lava Jato, na qual o próprio presidente Michel Temer é citado. "E é Temer quem vai escolher o substituto de Teori", observa o jornal.

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La Croix noticia a morte de Teori fazendo três perguntas.

Quem era o juiz e o que ele estava investigando?

La Croix explica aos leitores franceses que Teori foi nomeado pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2012 para o Supremo Tribunal Federal, a mais alta instância jurídica do Brasil. Ele foi encarregado de relatar ao STF as denúncias da operação que trouxe à tona o maior escândalo de corrupção do país, o Lava Jato. "Considerado um grande articulador, independente e indiferente à efervescência midiática, Teori teve um papel relevante na investigação, acusando e condenando vários homens políticos", diz o artigo, citando Sérgio Moro: "Sem ele, não teria havido a Lava Jato".

Sua morte repentina levanta suspeitas no Brasil?

O diário analisa que, obviamente, a morte de uma pessoa de tal importância levanta dúvidas, principalmente porque ele trabalhava com as esperadas 77 delações premiadas de executivos da Odebrecht, definida como a maior construtora do país e a mais envolvida na corrupção monumental do caso. "Uma centena de políticos seriam citados, inclusive o presidente Michel Temer", diz o jornal, relatando também as denúncias de ameaça recebidas pelo juiz. La Croix fala dos comentários nas redes sociais depois do acidente, que vão da tristeza e preocupação à teoria do complô, e diz que a Associação dos juízes federais do Brasil exige que a investigação seja "a mais rápida e transparente possível".

O que vai mudar na investigação com a morte de Teori?

La Croix informa que, sem dúvida, a morte do juiz vai frear o desenrolar da investigação e bloquear a validação das 77 confissões dos executivos da Odebrecht. Outro ponto preocupante citado pelo jornal é a nomeação do substituto de Teori, que deve ser escolhido por Michel Temer, antes de ser validado pelo Senado. "Um processo equívoco, já que Temer e diversos senadores são citados na Lava Jato", diz o artigo.

Para concluir, o jornal francês afirma que a presidente do Supremo, Carmen Lúcia, pode redistribuir os dossiês do juiz a um dos dez outros ministros do Tribunal, uma hipótese que ganha força.

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