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Célebre escritor chileno Luis Sepúlveda morre em decorrência da Covid-19

O escritor chileno Luis Sepúlveda, durante a noite de autógrafos de seu livro "A sombra do que éramos", em 30 de março de 2010, em Paris.
O escritor chileno Luis Sepúlveda, durante a noite de autógrafos de seu livro "A sombra do que éramos", em 30 de março de 2010, em Paris. AFP/Archivos
Texto por: RFI
3 min

Autor de obras premiadas e traduzidas no mundo inteiro, Luis Sepúlveda morreu aos 70 anos nesta quinta-feira (16) em Oviedo, na Espanha, em decorrência da Covid-19. O escritor chileno havia testado positivo para o novo coronavírus no fim de fevereiro, e a notícia de sua contaminação havia sido divulgada pelas autoridades de Portugal, onde ele se encontrava, no dia 1° de março. Preso em 1973 pela ditadura militar de Pinochet no Chile, ele se exilou na Europa, de onde nunca mais voltou.

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O autor de 70 anos sentiu os primeiros sintomas em 25 de fevereiro, quando já havia retornado à região de Astúrias, segundo informações da Direção Geral de Saúde de Portugal. O escritor havia permanecido no norte de Portugal entre 18 e 23 de fevereiro para participar de um festival literário.

No domingo, 1° de março, as autoridades sanitárias portuguesas solicitaram a todas as pessoas que estivessem em "contato próximo" com o autor chileno para se identificar. O escritor havia participado do festival Correntes d'Escritas, organizado nos arredores de Porto.

Sepúlveda foi uma das grandes figuras da literatura latino-americana contemporânea, autor de cerca de 20 romances. Um dos mais bem sucedidos, "O velho que lia romances de amor”, foi publicado em 1988, traduzido para 40 idiomas e vendido em 18 milhões de exemplares.

Sepúlveda também foi cineasta, contista, jornalista, uma voz lúcida e crítico dos processos políticos no Chile, e recentemente do presidente Sebastián Piñera. Durante sua carreira de escritor, ele foi distinguido com inúmeros prêmios. Na França, foi condecorado como Cavaleiro das Artes e Letras pela República Francesa.

Seu último livro, "História de uma baleia branca", foi publicado no ano passado pela editora Tusquets e traduzido para o francês pela editora Métailié.

"A equipe médica fez de tudo para salvar sua vida"

"Os profissionais fizeram de tudo para salvar sua vida, mas foram vencidos pela doença. Meus sinceros pêsames à esposa e à família”, assegurou o presidente da região das Astúrias, Adrian Barbon, no Twitter.

Nascido em outubro de 1949 em Ovalle, norte da capital chilena, Santiago, o autor foi muito ativo na juventude comunista e depois em uma corrente do Partido Socialista, atividades que o levaram a ser preso em 1973 pela ditadura militar do general Augusto Pinochet.

Obra premiada

Preso por dois anos e meio, ele foi liberado em 1977, graças à intervenção da Anistia Internacional. Luis Sepúlveda, sempre comprometido com a defesa das comunidades indígenas, viajou então por toda a América Latina: Colômbia, Equador, Peru, Nicarágua...

Seu encontro com os índios Shuar em 1978, como parte de uma missão sobre "o impacto da colonização nas populações amazônicas" com a Unesco, inspirará o tema e as paisagens de seu primeiro romance.

Morando na Europa desde os anos 1980, Sepúlveda é autor de cerca de vinte romances, crônicas, histórias, contos e fábulas para crianças traduzidas em 50 países, incluindo seu best-seller “O velho que lia romances de amor”.

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