Acessar o conteúdo principal

União Europeia avalia exigência de "passaporte de saúde" para futuros turistas

É bastante provável que a tendência deste verão europeu se resuma às pessoas viajarem em seus próprios países e que os deslocamentos sejam feitos de carro ou trem.
É bastante provável que a tendência deste verão europeu se resuma às pessoas viajarem em seus próprios países e que os deslocamentos sejam feitos de carro ou trem. pixabay
Texto por: RFI
5 min

A pandemia do novo coronavírus faz a indústria do turismo europeu sofrer o seu pior golpe. Às portas do verão no Hemisfério Norte, a União Europeia pretende impulsionar o setor, que rende mais de € 400 bilhões por ano, e discute diretrizes para uma reabertura, ainda que tímida.

Publicidade

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

No Hemisfério Norte, as férias de verão normalmente planejadas com meses de antecedência são as mais desejadas pela maioria dos europeus. Este ano, porém, com a pandemia do novo coronavírus, a pergunta que todos fazem é se a viagem do verão, nos meses de julho e agosto, está garantida.

Nesta quarta-feira (29), a Comissão Europeia discute regras para quem pretende viajar pelo continente e diretrizes afim de reanimar a indústria nos próximos meses. O turismo representa 10% do Produto Interno Bruto do bloco e emprega quase 12% da mão de obra europeia. O comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, acredita que será preciso “reinventar o turismo do amanhã”. 

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em recente entrevista ao jornal alemão Bild, aconselhou os europeus a não reservarem hotéis para este verão. “Até o momento, ninguém pode fazer previsões críveis para julho e agosto”, afirmou. Certamente haverá limitações à circulação turística na próxima temporada de férias na Europa.

Mas, apesar das restrições, é provável que medidas como a abertura de corredores turísticos entre os países da União Europeia e a inclusão de epidemiologistas no processo de abertura das fronteiras sejam adotadas antes da chegada do verão.

Os ministros de turismo do bloco, que se reuniram no início da semana por videoconferência, querem uma solução sobre o reembolso dos pacotes de viagens, incluindo os vouchers.

Bruxelas também avalia questões como a checagem da temperatura dos passageiros antes do embarque, a obrigatoriedade do exame de sangue ou a adoção de um “passaporte da saúde”, que seria um certificado provando que o turista está livre da infecção da Covid-19. As recomendações serão divulgadas em breve pelo executivo europeu.

Turismo paralisado afunda setor

A indústria do turismo na Europa deve sofrer um prejuízo entre 275 a 400 bilhões de euros com a pandemia. Hotéis, restaurantes, museus, agências de viagens, companhias aéreas, e tudo mais que envolve o setor, estão parados desde meados de março. Cartões postais como a Torre Eiffel e o Museu do Louvre em Paris, o Coliseu e a Praça São Pedro em Roma absolutamente desertos. As gôndolas de Veneza esperam por turistas que não vão chegar tão cedo.

Com a suspensão parcial da quarentena em alguns países do bloco, as praias da Costa do Sol no sul da Espanha, um dos destinos mais populares na Europa, começam a ensaiar timidamente um pequena reabertura para os locais, depois que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, permitiu que as crianças do país saíssem para brincar ao ar livre após semanas de confinamento; no entanto, Tenerife só vai permitir a entrada de turistas estrangeiros a partir de outubro.

A Grécia está avaliando quando os resorts poderão voltar a operar. Em Portugal, um do países menos afetados pelo coronavírus no bloco por causa da rapidez com que tomou medidas efetivas para conter a pandemia, deve permitir o acesso controlado às suas praias a partir de junho e reabrir os hotéis em julho. A Itália, extremamente dependente do turismo, pode passar a ser considerada um destino secundário por causa do alto número de mortos pela Covid-19 no país.

Nova tendência de viagem

É bastante provável que a tendência deste verão europeu se resuma às pessoas viajarem em seus próprios países e que os deslocamentos sejam feitos de carro ou trem. A consultora de viagens e eventos, Patrícia Rezende, que trabalha há mais de 30 anos no setor, acredita que “as pessoas vão buscar uma outra forma de viajar; com experiências mais individuais e não em grupos, apostando em um turismo de aventura, com mais sustentabilidade”.

Ela explica que antes da pandemia os grandes picos de viagem eram nos meses de julho, agosto e no final do ano, agora quando o sinal verde for dado, os turistas vão pensar em outras possibilidades. “As famílias não deixarão de se encontrar em datas festivas como o Natal” explica Patrícia, ”iremos descobrir uma forma de viajar mais intimista, mais interna que externa”.

Milhares de europeus que moram em países fora do espaço comunitário costumam voltar para a Europa durante as férias de verão. Este ano, muitas famílias terão que modificar seus planos. O governo de Portugal, por exemplo, está pedindo a comunidade portuguesa que mora no exterior para não visitar o país durante o período de verão. O primeiro-ministro português, Antonio Costa, afirmou que “não é momento ainda para baixar a guarda”. Segundo Costa, a vida no país só deve voltar à normalidade quando existir uma vacina contra o novo coronavírus.

Festivais de verão adiados

Os famosos festivais de verão na Europa que atraem milhares de jovens todos os anos foram adiados. Um dos mais badalados do mundo é o Tomorrowland, que há 15 anos reúne fãs da música eletrônica na cidade de Boom, perto da Antuérpia, na Bélgica. Cerca de 40 mil pessoas de 170 países que já compraram ingressos para a edição deste ano só vão poder usá-los no verão de 2021. Para a consultora Patrícia Rezende, as viagens de lazer são bem menos problemáticas do que os grandes eventos com aglomerações. “Como estes eventos vão acontecer no futuro?” indaga. “Estes festivais de música, eventos esportivos, tem vibração, abraço, torcida, ninguém ainda sabe como será depois da pandemia”.  

Na França, o consagrado Festival de Avignon, que há décadas transforma a cidade medieval da região da Provence no sul do país em capital do teatro, foi anulado. Outro grande encontro cultural do verão europeu, o Festival de Cannes, que aconteceria no próximo mês foi suspenso. A pandemia do novo coronavírus também sacudiu o calendário dos eventos esportivos na Europa. O torneio de tênis Roland Garros foi transferido para setembro pela Federação Francesa de Tênis.

O Tour de France e o Grande Prêmio de Fórmula na França foram cancelados e os organizadores devem divulgar novas datas. Na Alemanha, a edição 2020 da Oktoberfest, prevista para setembro próximo, não será realizada. A Oktoberfest é a maior festa da cerveja no mundo e atrai anualmente seis milhões de pessoas à cidade de Munique.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.