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Restrições impostas pelo coronavírus ofuscam Eid al-Fits, festa do fim do Ramadã

Muçulmanos assitem ao Eid-al-Fitr em Dakar no Senegal, em 24 de maio de 2020
Muçulmanos assitem ao Eid-al-Fitr em Dakar no Senegal, em 24 de maio de 2020 REUTERS - ZOHRA BENSEMRA

A maioria dos muçulmanos do mundo celebra, neste domingo (24), o Eid al-Fitr, festa que marca o fim do mês de jejum do Ramadã, ofuscado este ano pelas medidas para conter a pandemia do coronavírus. A festa, uma das mais importantes do calendário muçulmano, é tradicionalmente comemorada com orações na mesquita, visitas a familiares e compras de roupas, presentes e doces.

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Neste ano, as celebrações deverão se adaptar ao novo coronavírus. Do Egito ao Iraque, passando pela Turquia e Síria, vários países proibiram orações coletivas, mas alguns deles reforçaram as restrições depois que um relaxamento observado durante o Ramadã levou a um aumento das infecções, de acordo com as autoridades. Na Arábia Saudita, por exemplo, onde está situada Meca, o número de infecções quadruplicou desde o início do jejum, atingindo cerca de 68.000 casos. O reino instituiu um toque de recolher total de cinco dias que começou no sábado (23).

Mesquita em Meca estava vazia

A grande mesquita de Meca estava quase vazia neste domingo. Do alto de uma galeria, um imã fazia uma oração. À sua frente, agentes de segurança, alguns usando máscaras, e alguns fiéis em filas dispostas em círculo. Em Jerusalém, a Mesquita Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado do Islã, foi fechada. Ao amanhecer, confrontos opuseram membros dos serviços de segurança israelenses aos fiéis reunidos no local, onde eram realizadas orações.

Em Gaza, o Hamas, movimento islâmico que controla o enclave palestino, autorizou orações em mesquitas, apesar do anúncio da primeira morte ligada ao coronavírus no sábado. Em uma mesquita, os fiéis, espaçados entre si, usavam máscaras.  "O Eid não é Eid com o coronavírus, as pessoas têm medo", disse Akram Taher. Na Tunísia, cerca de quarenta fiéis oraram, a dois metros de distância, na grande mesquita Malek Ibn Anas, em Cartago, onde uma multidão de fiéis geralmente se reúne para o Eid.

A mesquita de Zitouna, um importante local histórico do Islã no coração da medina de Tunes, permaneceu vazia, algo extremamente raro desde a sua fundação no século VII, de acordo com os imãs. Os parques de diversões, geralmente cheios de crianças pela manhã, permaneciam vazios.

No Paquistão, queda de avião também tirou alegria da festa

Na Ásia, os muçulmanos correram para os mercados para fazer suas compras antes da festa, sem respeitar as medidas de distanciamento social. "Por mais de dois meses, meus filhos ficaram confinados em casa", disse Ishrat Jahan, mãe de quatro filhos, em um mercado na cidade paquistanesa de Rawalpindi. "Este feriado é para crianças e, se não puderem celebrá-lo com roupas novas, é inútil trabalhar tanto durante o ano todo".

Em seu país, que cedeu à pressão religiosa ao permitir orações na mesquita durante o Ramadã, as festividades foram manchadas pela queda de um avião, com cerca de 100 mortos. Segundo o jornal Dawn, esse desastre "tirou a pouca alegria que restava para o Eid".Na Indonésia, o maior país muçulmano do mundo, alguns se voltaram para contrabandistas e certificados falsos para contornar a proibição de viagens no arquipélago.

O número de mortes pela Covid-19 no Oriente Médio e na Ásia tem sido menor do que na Europa e nos Estados Unidos, mas está aumentando constantemente. O Irã, o país mais afetado do Oriente Médio, pediu a seus cidadãos que evitem viajar durante o Eid, que é comemorado domingo e segunda-feira. "Nossa maior preocupação" é ter "novos picos da doença por desrespeito das orientações de saúde", alertaram as autoridades.

(Com informações da AFP)

 

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