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SpaceX lança foguete com astronautas da Nasa e inaugura era espacial com empresa privada

O primeiro voo tripulado de um foguete da SpaceX foi lançado neste sábado (30) levando dois astronautas da Nasa para a ISS.
O primeiro voo tripulado de um foguete da SpaceX foi lançado neste sábado (30) levando dois astronautas da Nasa para a ISS. Twitter/NASA
Texto por: RFI
4 min

Após um primeiro lançamento frustrado pela meteorologia na quarta-feira (27), o lançamento de dois astronautas da Nasa dentro de um foguete construído por uma empresa privada, a SpaceX, marca o início de uma nova era espacial.

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Os astronautas Bob Behn Ken, 49, e Doug Hurley, 53, partiram rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) dentro de um foguete SpaceX Falcon 9 com a nova cápsula Crew Dragon.

Como Neil Armstrong e seus colegas da missão Apollo 11, os dois norte-americanos partiram da plataforma 39A do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, na segunda tentativa.

"É uma honra ser parte deste grande esforço para colocar os Estados Unidos de volta no negócio de lançamentos. Falamos com vocês em órbita", afirmou o astronauta Doug Hurley, minutos antes do lançamento, que aconteceu às 16h22 (horário de Brasília).

Os astronautas devem levar 19 horas para chegar à ISS.

Trump esteve na Flórida em meio a crise por racismo policial

O lançamento foi acompanhado pelo presidente Donald Trump, que deixou a Casa Branca em meio a uma série de protestos violentos após o assassinato de um homem negro por um policial, em Minneapolis.

O sucesso da SpaceX pode ser um usado pelo Trump durante sua campanha para a reeleição presidencial, já que este seria o primeiro passo rumo à reconquista da lua em 2024, projeto prometido pelo líder americano.

Caso a Space X seja aprovada neste primeiro teste, os Estados Unidos deixarão de depender da Rússia para chegar a ISS. Desde 2011, os americanos dependem dos russos para enviar seus astronautas até a estação a 400 km da Terra, já que as naves espaciais Soyuz eram até o momento as únicas capazes de tal viagem.

Empresário bilionário é obcecado pelo espaço

Fundada em 2002 por Elon Musk, empresário obcecado por  Marte e com a determinação de mudar as regras do jogo da indústria aeroespacial, a Space Exploration Technologies Corporation conquistou a confiança da maior agência espacial do mundo, a Nasa.

A SpaceX se tornou em 2012 a primeira empresa privada a acoplar uma cápsula de carga à ISS. Dois anos depois, a Nasa pediu que a firma adaptasse a cápsula Crew Dragon para poder transportar astronautas.

"A SpaceX não estaria aqui sem a Nasa", disse Musk no ano passado, após um teste geral da viagem à ISS sem tripulação.

A agência espacial pagou mais de US$ 3 bilhões (equivalente a quase R$ 16 bilhões) à SpaceX para projetar, construir, testar e operar a cápsula e fazer seis viagens espaciais de ida e volta.

Projeto teve muitos contratempos

O desenvolvimento enfrentou atrasos, explosões e problemas de paraquedas, mas a SpaceX venceu a gigante Boeing, que também recebeu pagamento da Nasa para desenvolver uma cápsula, a Starliner, que ainda não está pronta.

O investimento, decidido durante as presidências de George W. Bush (envio de carga) e Barack Obama (envio de astronautas), é considerado frutífero em comparação com as dezenas de bilhões de dólares gastos nos sistemas anteriores desenvolvidos pela agência espacial americana.

"Alguns afirmaram que é inviável, ou imprudente, trabalhar com o setor privado desta maneira. Não concordo", disse Obama em 2010.

A decisão do ex-presidente enfrentou a hostilidade do Congresso e da Nasa.

Trump quer retorno à lua em 2024

Dez anos depois, o republicano, Donald Trump, tenta reafirmar o domínio americano do espaço e ordenou o retorno à lua em 2024.

Se a Nasa conseguir confiar ao setor privado as missões mais próximas da Terra, dentro da "órbita baixa", isso permitiria destinar orçamento para as missões mais distantes.

"Imaginamos um futuro, no qual a órbita baixa da Terra estará completamente privatizada, onde a Nasa será apenas um cliente entre outros", disse Jim Bridenstine, administrador da agência.

Caso contrário, "nunca iremos à Lua, nem a Marte".

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