Centenas se reúnem em cerimônia em Minneapolis para homenagear George Floyd

Pessoas assistem a um culto em memória de George Floyd após sua morte em Minneapolis, Minneapolis, Minnesota, EUA, em 4 de junho de 2020.
Pessoas assistem a um culto em memória de George Floyd após sua morte em Minneapolis, Minneapolis, Minnesota, EUA, em 4 de junho de 2020. REUTERS - LUCAS JACKSON

Familiares, religiosos e celebridades se reuniram na universidade cristã North Central para homenagear o cidadão negro de 46 anos, agredido por um policial no dia 25 de maio, que imobilizou Floyd pressionando o joelho sobre seu pescoço na calçada. Sua morte brutal brutal provocou uma onda de protestos nos Estados Unidos.

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O reverendo e veterano ativista pelos direitos civis Al Sharpton foi encarregado do discurso fúnebre. Ele disse que Floyd "não morreu de uma doença comum, mas sim do mau funcionamento da justiça criminal dos Estados Unidos. O que aconteceu com Floyd acontece todos os dias neste país." Segundo ele, "é o momento de nos colocarmos de pé e em nome de George, dizermos: tire esse joelho do meu pescoço", acrescentou, sob aplausos.

"Você mudou o mundo, George", disse o pastor batista depois da exibição de imagens da sua morte de Floyd, que provocaram uma mobilização inédita desde o assassinato do ativista negro Martin Luther King Jr. em 1968. "Vamos continuar até mudarmos todo o sistema de justiça", afirmou Sharpton.

A cerimônia, acompanhada de música e marcada pelas restrições para conter a disseminação da Covid-19, misturou testemunhos íntimos da família, com a presença de personalidades como o reverendo Jesse Jackson, a senadora por Minnesota, Amy Klobuchar, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey.

O caixão dourado com o corpo de Floyd foi colocado à frente de uma projeção que mostra um mural pintado no local onde ele morreu e agora foi montado um memorial improvisado com flores e mensagens. O advogado da família, Ben Crump, prometeu "justiça" no caso. Quatro policiais foram processados.

A maioria dos presentes usava máscaras, alguns com a frase "Não consigo respirar", as últimas palavras proferidas por Floyd quando o policial branco Derek Chauvin o imobilizou pressionando o joelho contra seu pescoço por 8 minutos e 46 segundos. A cerimônia foi marcada por momentos emocionantes: os participantes fizeram silêncio quando o corpo de Floyd chegou ao local. O chefe de polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, ajoelhou em sinal de respeito.

Manifestações

Manifestações, na maior parte do tempo pacíficas e silenciosas, voltaram a ocorrer nesta quinta-feria (4) em todo o país, pedindo justiça e o fim das discriminações raciais.

Milhares de pessoas de origens diferentes protestaram nas ruas de Nova York, além de Washington, Seattle e Los Angeles. Nessas três cidades, o toque de recolher foi suspenso.  A indignação também ganhou o exterior. Em Viena, uma marcha reuniu cerca de 50.000 pessoas, segundo a polícia.

Cerimônia em Nova York

Em Nova York foi celebrada uma cerimônia,com a participação de um dos irmãos de Floyd, Terrence. Os presentes exibiam cartazes com mensagens como "O silêncio dos brancos é violência" e "Façamos dos Estados Unidos algo não vergonhoso outra vez".

A onda de protestos que agita há dez dias o país se intensificou na segunda-feira, quando o presidente Donald Trump ameaçou mobilizar o Exército, depois que protestos pacíficos ocorridos durante o dia terminaram em tumultos. Cerca de 10 mil pessoas foram presas em todo país, de acordo com a imprensa.

Na quarta-feira, promotores encarregados do caso do homicídio de Floyd endureceram as acusações contra o policial Derek Chauvin, que, na semana passada, foi acusado de homicídio culposo e agora vai responder a homicídio de segundo grau. Se condenado, ele pode passar até 40 anos na prisão, embora nos Estados Unidos haja poucos casos de condenação de policiais.

Além disso, o promotor acusará os outros três policiais que estavam no local - Tou Thao (34 anos), J. Alexander Kueng (26) e Thomas Lane (37), já detidos - por ajudarem e instigarem o assassinato. Em Minneapolis, a situação se acalmou depois dos protestos do último final de semana, mas o prefeito da cidade, Jacob Frey, estimou o custo dos danos em US$ 55 milhões.

Denúncia contra Trump

A poderosa associação de defesa dos direitos civis ACLU e outras organizações apresentaram uma denúncia judicial contra o presidente Donald Trump e os secretários da Justiça e da Defesa pela ação da polícia contra a manifestação pacífica em frente à Casa Branca, ocorrida nesta segunda-feira (1).

Trump afirmou que Floyd morreu pela "pandemia do racismo e da discriminação", depois que a necropsia confirmou morte por asfixia e revelou também que tinha sido contaminado pelo o novo coronavírus.

Apesar de Trump condenar a morte de Floyd, o presidente adotou um tom severo para se referir aos manifestantes, afirmando que havia "pessoas más". A tensão aumentou em seu próprio gabinete na quarta-feira, depois que secretário da Defesa, Mark Esper, se opôs ao uso de uma lei permitindo que as forças militares fossem às ruas.

Centenas de soldados da Guarda Nacional, um corpo de reservistas, já foram enviados para ajudar a polícia no controle dos protestos, mas Trump propôs convocar os militares da ativa.

(Com informações da AFP)

 

 

 

 

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