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Saúde

Spike, a proteína usada pelo coronavírus para penetrar nas células

Áudio 04:30
A proteína Spike tem esse nome por conta das pontas que caracterizam o SARS-Cov2, nome do novo coronavírus
A proteína Spike tem esse nome por conta das pontas que caracterizam o SARS-Cov2, nome do novo coronavírus Reuters
Por: Taíssa Stivanin

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Montpellier, no sul da França, trabalha há mais de dois meses no projeto ProteoCovid-19. O estudo visa descrever a proteína Spike. Ela é usada pelo coronavírus para entrar nas células e entender seu funcionamento é essencial para a fabricação de testes diagnósticos mais confiáveis e tratamentos eficazes.

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A proteína Spike também é alvo dos anticorpos produzidos pelo sistema imunológico depois da contaminação pela Covid-19. Por isso, ela interessa muitas equipes de cientistas que correm contra o relógio para fabricar uma vacina contra o vírus, explicou à RFI Brasil Sylvain Lehmann, diretor do laboratório de bioquímica da universidade de Montpellier.

“Por enquanto nossas pesquisas visam sobretudo melhorar o diagnóstico, mas o que descobriremos também pode ser útil para os projetos de vacinas”, diz. Segundo ele, todos os coronavírus têm esse tipo de proteína, com algumas variações. “Essas diferenças podem ser importantes para detectar essa proteína da melhor maneira possível e tentar descobrir qual é a melhor maneira de fabricar anticorpos contra o vírus", declarou.

Ele lembra que o genoma do vírus é conhecido, mas o que é importante agora é descobrir como ocorre a modificação das proteínas nas células infectadas, que é desencadeada pelo gene atuante do SARS-Cov-2. Esse processo é chamado cientificamente de "expressão do genoma" ou "tradução em proteínas". Ele pode ser diferente em função do indivíduo e de suas especificidades genéticas.

No caso do coronavírus, por se tratar de uma doença totalmente nova, a questão é ainda mais complexa. A imprevisibilidade da Covid-19 pode ser constatada em suas múltiplas formas clínicas, que vão da ausência de sintomas a uma violenta inflamação, dependendo da reação de cada organismo, e que provoca a internação e superlotação das UTIs.

O pesquisador francês Sylvain Lehmann, que trabalha em um projeto sobre a proteína Spike
O pesquisador francês Sylvain Lehmann, que trabalha em um projeto sobre a proteína Spike © Arquivo pessoal

Diferenças bioquímicas

Um dos objetivos do estudo francês é saber se, em cultivo celular laboratorial, a Spike tem diferenças bioquímicas em relação à proteína viral produzida durante uma contaminação natural. Para isso, são necessários equipamentos e técnicas específicas, como a chamada espectometria de massas, explica o cientista francês. A técnica permite a detecção e identificação das moléculas, para caracterizar suas estruturas químicas.

“Pegamos o vírus produzido no laboratório ou no organismo de uma pessoa infectada e em seguida cortamos a proteína viral. Estudamos cada pedaço dela de maneira precisa, para verificarmos as variações de composição da proteína”, explica o especialista francês.

De acordo com ele, mesmo que apenas um gene atue no desenvolvimento da infecção gerada pelo coronavírus, as manifestações podem ser diferentes. “Cortando essa proteína em vários pedaços, podemos medir com precisão se os aminoácidos foram modificados e se açúcares foram acrescentados em alguns locais. É importante conhecer esses detalhes porque eles é que vão nos ajudar a reproduzir o vírus em uma futura vacinação”, reitera.

Comparações de diferentes fontes

A análise do comportamento do vírus in vitro também é fundamental para o processo. A equipe já tem à disposição diversas amostras de pacientes, vírus sintéticos, e ainda aguarda a entrega das proteínas recombinantes, produzidas em outros laboratórios.

“Vamos comparar as proteínas sintetizadas quimicamente ou em laboratório, que chamamos de proteína recombinante, com o vírus produzido in vitro, em cultura celular, e com o que achamos nos organismos dos pacientes. É comparando essas três fontes que estamos no caminho certo para produzir os melhores testes de detecção e as melhores pistas de vacinas”, diz Sylvain Lehman. Ele lembra que o trabalho também permitirá "afinar" os testes de detecção de anticorpos, que ainda são pouco confiáveis.

Os pesquisadores franceses assinaram um contrato com uma empresa para que eles possam comparar as informações sobre a proteína do vírus e produzir, assim, um diagnóstico mais preciso. De um modo geral, o cientista francês disse estar otimista em relação ao avanço das pesquisas sobre o coronavírus. “Muita coisa foi feita em tempo recorde”, avalia.

 

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