Nova sanção dos EUA contra transferências de dinheiro para Cuba entra em vigor

Em uma rua na cidade velha de Havana, Cuba, 17 de abril de 2020.
Em uma rua na cidade velha de Havana, Cuba, 17 de abril de 2020. YAMIL LAGE/AFP

Nesta sexta-feira (12), entra em vigor em Cuba a mais recente sanção norte-americana contra o governo da ilha. Dirigida à empresa Fincimex, que administra transferências de dinheiro, em particular por meio da empresa Western Union, a medida, anunciada na semana passada, fez os cubanos correrem para essas agências, a fim de receber o que pode ser a última ordem de pagamento, ou "remesa" na linguagem local, proveniente do exterior.

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Domitille Piron, correspondente da RFI em Cuba

Será que vai fechar ou não? Esta pergunta esteve nos lábios de todos os cubanos nas filas das agências da Western Union na semana passada. Com o anúncio do governo dos Estados Unidos de adicionar o Fincimex à lista de empresas sancionadas, os moradores correram para essas agências para receber seu dinheiro.

De fato, a partir desta sexta-feira, fica proibido para uma empresa norte-americana fazer transações com essa entidade do exército cubano, que administra as transferências de dinheiro.

O jovem Carlos, que não revela o sobrenome, é o último de uma fila de cerca de 20 pessoas. "Estamos todos esperando para ver o que vai acontecer", explica ele. “Eu vim só para garantir. Aconteça o que acontecer, eu preferi vir hoje”, declarou.

O que a Western Union decidirá ainda é um enigma. Com essa medida, Trump deseja retirar capital norte-americano das autoridades cubanas, que, por meio de ordens de pagamento, recuperam dólares. Mas são os cidadãos cubanos que serão punidos em primeiro lugar.

O jovem professor de esportes, cujo salário pago pelo Estado é de US$ 44, recebe de seu pai em Miami entre US$ 100 e US$ 200 por mês, por meio de transferências. Ele teme que agora terá que se virar sem esse dinheiro. "A "remesa" é o que me dá condição de viver, é minha fonte de renda mais importante. Isso me permite comprar comida e outras coisas. Enfim, eu uso para comprar o essencial", diz.

A Western Union limitou gradualmente seus serviços

Nos últimos meses, a Western Union e seu ramo cubano já se tornaram alvo duas vezes de ações punitivas do governo Trump. No final de fevereiro de 2020, a Western Union suspendeu seus serviços para Cuba de um país que não fosse o vizinho norte-americano. Em outubro de 2019, a administração de Donald Trump já havia limitado o envio de ordens de pagamento a US$ 1.000 por trimestre, por pessoa.

A Western Union havia aberto a possibilidade de os cubanos receberem transferências de todos os países do mundo, quando ocorreu a retomada histórica de relações entre Havana e Washington, durante a administração de Barack Obama. Com Trump na Casa Branca, os republicanos voltaram atrás nessa política e retomaram as sanções contra o governo de Havana.

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