Covid-19: China e Irã preocupam, enquanto Europa reabre fronteiras

Profissionais de saúde esperam para tirar seus equipamentos de proteção individual (EPI) após o final de um check-up da doença por coronavírus (COVID-19) em uma favela em Mumbai, na Índia, em 14 de junho de 2020.
Profissionais de saúde esperam para tirar seus equipamentos de proteção individual (EPI) após o final de um check-up da doença por coronavírus (COVID-19) em uma favela em Mumbai, na Índia, em 14 de junho de 2020. REUTERS - FRANCIS MASCARENHAS

A China registrou 57 novos casos de Covid-19 neste domingo (14), incluindo 36 em Pequim, o maior número diário desde abril. Esta é uma notícia preocupante para o resto do mundo, pois aumenta o temor de uma segunda onda da epidemia, que continua em fúria na América Latina.

Publicidade

Graças a controles rigorosos, o uso de uma máscara e operações de contenção, a epidemia estava sob controle na China, onde o novo coronavírus apareceu no ano passado em Wuhan (centro).

Mas uma nova fonte de contaminação foi detectada no sul de Pequim, no mercado atacadista de Xinfadi, que vende carne, peixe e legumes, entre outras coisas. Uma descoberta que resultou no confinamento de 11 áreas residenciais nas proximidades.

Um homem de 56 anos, que trabalha como motorista de ônibus no aeroporto e que foi ao mercado de Xinfadi antes de adoecer, estava entre os casos relatados no domingo.

Centenas de policiais e policiais paramilitares, muitos deles usando máscaras e luvas de proteção, foram vistos perto do mercado de Xinfadi.

Todas as pessoas que trabalham neste mercado ou que estão lá desde 30 de maio devem passar por um teste de triagem, bem como moradores dos bairros vizinhos.

"As pessoas têm medo", disse um vendedor de frutas e legumes em outro mercado da cidade. Em algumas áreas de Pequim, os moradores foram enclausurados em suas casas e as lojas e restaurantes foram fechados no domingo.

Europa, Irã, Brasil

Essa preocupação renovada na China ocorre no momento em que a Europa, onde a doença está em forte declínio, restaura a livre circulação na segunda-feira (15) com todos os países da União Europeia.

Na França, o presidente Emmanuel Macron faz um discurso solene na noite deste domingo (14), enquanto os pedidos para acelerar o processo de "desconfinamento" se multiplicaram nos últimos dias no país. O coronavírus matou 29.398 pessoas na França, mas o número de pacientes continua a diminuir.

Na Itália, que reabriu suas fronteiras desde 3 de junho, dois novos surtos de coronavírus foram detectados nos últimos dias em Roma, um em um hospital e o outro em um prédio ocupado.

 E o Irã anunciou neste domingo mais de 100 mortes de Covid-19 em 24 horas, o que não acontecia há dois meses, e eleva o número da epidemia para 8.837 mortos no país.

Com um total de 42.720 mortes registradas na noite de sábado, o Brasil é o segundo país mais afetado pelo Covid-19, atrás dos Estados Unidos (115.347 mortos em mais de 2 milhões de casos).

No total, a Covid-19 matou mais de 427.000 pessoas e infectou mais de 7,7 milhões de pessoas no planeta, segundo um relatório compilado pela AFP de fontes oficiais.

América Latina e Índia

Seu epicentro está agora na América Latina, onde fora do Brasil a situação está piorando em países como México e Chile, enquanto em Honduras o sistema hospitalar está "à beira do colapso", alertou o Professor Marco Tulio Medina, da Universidade Nacional.

 Na Índia, que registrou quase 9.000 mortes e mais de 300.000 casos confirmados do novo coronavírus, os corpos estão empilhados nos necrotérios, porque a equipe de cemitérios e crematórios não consegue acompanhar a taxa de mortes. De acordo com a mídia indiana, muitas pessoas morrem após serem recusadas tratamento hospitalar.

Acusados de terem gerenciado mal a crise da saúde ou de agirem fora do prazo, os governos se encontraram acuados em quase toda parte do mundo.

No Chile, o Ministro da Saúde renunciou neste sábado (13) após uma semana de controvérsia sobre o aumento do número de casos de novos coronavírus e a metodologia de contagem.

Retorno de turistas

 Na Itália, onde a epidemia matou mais de 34.000 pessoas, o primeiro-ministro Giuseppe Conte pediu no sábado a preparação de um plano de recuperação econômica "corajoso".

 Enquanto isso, os turistas retornam em grande número a Veneza, por ocasião da reabertura do Palácio Ducal. "É uma emoção muito forte, como um primeiro dia de aula", testemunhou Maria Cristina Gribaudi, presidente da Fundação dos museus cívicos de Veneza.

A Grécia também está "pronta para receber turistas neste verão com segurança”, disse o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis.

Quanto à União Europeia, ela garantiu o fornecimento de vacinas contra o novo coronavírus no sábado (13), concluindo um acordo com o grupo farmacêutico AstraZeneca, que garante o fornecimento de 300 milhões de doses quando uma vacina é descoberta.

(Com informações da AFP)

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.