Estados Unidos: Suprema Corte valida 700.000 “dreamers”, um revés para Trump

Festa na frente do tribunal de Washington após decisão da Suprema Corte em favor dos "dreamers", 18 de junho de 2020.
Festa na frente do tribunal de Washington após decisão da Suprema Corte em favor dos "dreamers", 18 de junho de 2020. REUTERS/Jonathan Ernst

Trata-se um novo revés infligido pela Suprema Corte ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: o mais alto órgão judicial do país invalidou sua decisão de cancelar o programa Deferred Action for Childhood Arrival (DACA), criado por Obama para proteger cerca de 700.000 jovens migrantes (popularmente conhecidos como “dreamers”) de despejo. E o bilionário não aprecia esse tipo de acolhimento “indesejado”.

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Anne Corpet, correspondente da RFI em Washington

"Estas são decisões políticas horríveis!", esbravejou Donald Trump no Twitter. E, como se fosse um assunto de ordem pessoal, ele acrescentou: "Você não sente que a Suprema Corte não gosta de mim?”.

Foi por uma pequena maioria - cinco votos a quatro - que o mais alto órgão judicial do país julgou o caso dos "dreamers", esses jovens migrantes que chegaram ilegalmente ao território quando eram menores.

O chefe do tribunal, o juiz Robert, um conservador, somou sua voz à dos juízes progressistas. O tribunal decidiu que o desejo do presidente de cancelar o programa DACA era "caprichoso" e "arbitrário".

Aproximadamente 700.000 jovens afetados pelo programa poderão, portanto, continuar trabalhando e estudando legalmente em solo norte-americano, com uma autorização de residência renovável a cada dois anos.

Mas a medida também galvanizará e mobilizará a base de anti-imigração de Donald Trump. O presidente, inclusive, já está politizando a decisão judicial e usando-a para fins eleitorais.

"Precisamos de mais justiça ou perderemos nossa segunda emenda, aquela que protege o porte de armas e tudo mais. Vote Trump 2020! ", escreveu no Twitter.

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