Conselho científico francês teme segunda onda da Covid-19 vinda da América do Sul

Casal passeia no Trocadéro, em Paris, com o fim do confinamento
Casal passeia no Trocadéro, em Paris, com o fim do confinamento © Christophe ARCHAMBAULT. AFP

A Europa não descarta uma segunda onda do coronavírus, vinda da América do Sul, e que poderia chegar ao continente entre novembro e dezembro, de acordo com o virologista Bruno Lima, membro do conselho científico francês. Ele falou sobre essa possibilidade nessa quinta-feira (18), durante seu depoimento à comissão da Assembleia Nacional, criada para avaliar a gestão da crise do coronavírus na França.

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O clima é de otimismo desde o fim do confinamento em maio na França e em outros países europeus, mas a reaparição da Covid-19 em Pequim, que se espalhou rapidamente e levou o governo a fechar escolas, gera preocupação.

Apesar de a epidemia estar sob controle no continente, o risco de um novo pico epidêmico nunca foi descartado e os países se preparam para essa eventualidade sem que seja necessário adotar novas medidas de confinamento generalizado. A regra, repetem as autoridades francesas, é detectar os casos, testar e isolar os contaminados.

A preocupação neste momento é manter o controle da propagação do vírus,  mas o conselho científico francês teme que situação da epidemia da América do Sul tenha incidência direta na França e na Europa.

Em sua audição na Assembleia Nacional, Bruno Lima disse que a região tem "bem mais chances" de originar uma segunda onda de casos na Europa do que a China. "O perigo atualmente está lá", assegurou o virologista, acompanhado de outros três membros do conselho científico - entre eles o presidente Jean-François Delfraissy.

A partir de julho, a União Europeia abrirá suas fronteiras para viajantes de fora do continente. É provável que os brasileiros sejam barrados nessa abertura no próximo mês, mas poderão ser liberados nos meses seguintes.

De acordo com Delfraissy, o risco de um novo pico epidêmico no fim de outubro, em novembro ou dezembro, com casos importados da América do Sul, "é um risco que deve ser considerado."

Um das principais preocupações é o Brasil, segundo país com maior número de casos confirmados depois dos Estados Unidos, que têm mais de um milhão de diagnósticos positivos. No país, a epidemia está fora de controle. O Peru e o Chile também têm muitos casos e registram, juntos, mais de 200.000 contaminações

Vírus pode voltar a circular de forma ativa no verão europeu

A situação na China também é grave, lembra o virologista, e mostra que a Covid-19 pode voltar a circular de maneira ativa na Europa, mesmo no verão. "Apesar da situação na Europa, que está sob controle, temos um vírus que continua a circular no mundo todo e que voltará a atingir o território", declarou à rádio France Info um membro anônimo do conselho científico, pouco antes da audição na Assembleia Nacional.

Segundo ele, em breve o conselho deve lembrar, através de um comunicado, que há um sério risco de segunda onda epidêmica em outubro e novembro. 

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