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Anistia revela escândalo de treinamento de soldados sauditas na França

Setembro de 2019, após um ataque aéreo da coalizão liderada pela Arábia Saudita em um centro de detenção de Houthi em Dhamar, Iêmen.
Setembro de 2019, após um ataque aéreo da coalizão liderada pela Arábia Saudita em um centro de detenção de Houthi em Dhamar, Iêmen. REUTERS/Mohamed al-Sayaghi
Texto por: RFI
3 min

Trata-se de um novo escândalo na cooperação militar da França com a Arábia Saudita. Segundo uma investigação publicada nesta sexta-feira (3) pela Anistia Internacional, um campo de treinamento foi construído em solo francês para treinar soldados sauditas. A França já havia sido criticada em 2019 pela venda de material de guerra para a Arábia Saudita, que atualmente participa da guerra no Iêmen. Desta vez, trata-se do estabelecimento de um centro de treinamento no manuseio de armas de uma empresa belga na região do Meuse, no nordeste do país.

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O centro de treinamento militar em questão está localizado em Commercy, na região do Meuse. “Commercy, município do Meuse, com 6.000 habitantes. Seus doces, seu castelo de Stanislas, seus soldados sauditas", é assim que começa o texto da reportagem investigativa assinada pela jornalista Audrey Lebel, jornalista de La Chronique, revista da Anistia Internacional.

“O que descobri foi um centro criado especialmente para soldados sauditas, para treiná-los no manuseio de antigas armas de guerra, usadas agora no Iêmen”, explicou a jornalista à RFI. O centro foi criados graças ao ex-ministro da Defesa (2011-2012), Gérard Longuet. Membro do governo liderado pelo então premiê François Fillon, ele é atualmente senador pela região do Meuse. "Gérard Longuet, como ele mesmo assumiu, foi atrás do CEO da empresa belga, John Cockerill, ligado ao chefe do Estado-maior da época", revelou Audrey Lebel.

Dinheiro público

“Eu não sabia que era possível que a França pudesse treinar soldados em seu território. Ainda menos soldados que fazem parte de um exército envolvido em uma guerra que dura mais de cinco anos, que deixou mais de 200.000 mortos e que as Nações Unidas descrevem como ‘o pior desastre humanitário do mundo’. Sempre tendemos a pensar que o Iêmen está longe, que não estamos realmente preocupados como cidadãos franceses, exceto que lá acontece em nosso território e com o dinheiro dos contribuintes", escreveu a jornalista.

A guerra no Iêmen

Lebel relembra as revelações do site investigativo francês Disclosure no ano passado sobre o uso de armas francesas no Iêmen.

De acordo com uma investigação publicada em abril de 2019, documentos classificados como "Confidencial Defesa - Especial França", transmitidos a Emmanuel Macron , mas também à ministro das Forças Armadas, Florence Parly, atestam a presença de armas francesas no Iêmen. No entanto, a França sempre negou o uso de equipamento militar francês contra civis neste país.

"É ainda mais louco o governo francês continuar surdo e sustentar que tem o controle desse comércio [de armamentos], embora tudo ainda seja tão opaco, e que sempre seja tão difícil investigar; realmente não sabemos o que está acontecendo em nosso território", ataca a jornalista que revelou o escândalo.

Além disso, sublinha Audrey Lebel, “o que é mais ambíguo é que não sabemos se os sauditas estão no local ou não. Disseram-me que existem alguns, que existem alguns que teriam ficado presos lá durante toda a crise da Covid-19. Mas, oficialmente, até mesmo autoridades eleitas locais dizem que não sabem se o treinamento realmente já começou no município de Commercy. "

 

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