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Califórnia processa governo Trump por suspensão de visto de estudantes estrangeiros

A Califórnia está processando Trump pela suspensão de vistos de estudantes estrangeiros que não podem assistir a aulas presenciais
A Califórnia está processando Trump pela suspensão de vistos de estudantes estrangeiros que não podem assistir a aulas presenciais AP/Jae C. Hong
Texto por: RFI
3 min

O estado da Califórnia entrou nesta quinta-feira (9) com uma ação contra a política governamental do presidente Donald Trump, que ameaça suspender os vistos de estudantes estrangeiros que assistem aulas virtualmente por conta da pandemia. 

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A polícia federal de imigração, ICE, disse na segunda-feira que estudantes estrangeiros matriculados em programas on-line para o semestre do outono, que tem início em setembro no hemisfério norte, não poderão entrar no país. 

A medida afeta dezenas de milhares de estudantes na Califórnia e é considerada "ilegal" pelo advogado federal do estado, Xavier Becerra. "Que vergonha para o governo Trump por não apenas ameaçar as chances dos estudantes irem para a faculdade, mas também sua saúde e bem-estar, forçando-os a frequentar fisicamente as aulas em grupo, apesar da pandemia da Covid-19", escreveu Becerra em uma declaração.

A Califórnia, o estado mais populoso dos Estados Unidos e onde ocorre um dos principais surtos do coronavírus no país, registra atualmente mais de 8.000 novos casos por dia, totalizando quase 300.000. "Esse processo baseia-se no princípio comprovado nos Estados Unidos de que qualquer um que trabalhe duro e cumpra as regras pode ter uma chance de crescer", afirmou.

Segundo Becerra, a decisão de restringir o visto de estudante pode prejudicar as finanças das universidades, já gravemente afetadas pela crise da saúde. O reitor do sistema universitário público da Califórnia, uma rede que representa apenas uma pequena parte do ensino superior no estado, denunciou uma "política brutal e rígida".

De acordo com ele, a medida coloca seus 10.300 ou mais estudantes estrangeiros "em uma posição extremamente difícil" e priva a comunidade educacional e os Estados Unidos "de sua contribuição", acrescentou. A Universidade de Harvard, que também planeja aulas somente on-line no próximo ano, entrou com uma ação separada contra a política na quarta-feira, junto com o MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Os Estados Unidos registraram um novo recorde de contágios pelo novo coronavírus em 24 horas nesta quinta-feira (9), com mais de 65.500 novos casos em um dia, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins. O total de diagnósticos positivos da Covid-19 no país desde o início da pandemia supera os 3,11 milhões e o registro anterior data de terça-feira, com mais de 60.200 casos.

Abertura do país salta etapas recomendadas, diz Fauci

A preocupação com a disseminação do vírus continua aumentando no território americano, que tem observado um surto de infecções nas regiões sul e oeste nas últimas semanas. "Estamos em uma situação muito difícil", disse nesta quinta-feira o especialista em doenças infecciosas Anthony Fauci, consultor da Casa Branca para a crise do coronavírus.

A reabertura do país ocorreu "pulando todas as etapas recomendadas. Não é a maneira correta de fazer isso, precisamos repensá-la e fazê-la de maneira diferente", criticou o especialista durante uma teleconferência organizada pelo jornal The Hill.

"Os estados devem interromper seu processo de fim do confinamento", disse, mas acrescentou que não considera necessário "retornar a um isolamento completo".

O presidente Donald Trump minimiza esses registros diários. "Pela enésima vez, a razão pela qual temos tantos casos, em comparação a outros países que não se saem muito melhor do que nós, é que testamos muito mais e melhor", escreveu nesta quinta o dirigente republicano no Twitter.

(Com informações da AFP)

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