Com EUA e Alemanha liderando recessão, mundo ultrapassa 17 milhões de contaminados

Imagem gerada por computador de um modelo representativo de betacoronavírus, que é o tipo de vírus vinculado à Covid-19.
Imagem gerada por computador de um modelo representativo de betacoronavírus, que é o tipo de vírus vinculado à Covid-19. NEXU Science Communication/via REUTERS

A economia global foi duramente afetada pela recessão causada pela pandemia de Covid-19, particularmente nos Estados Unidos e na Alemanha, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) insta os jovens a "não baixarem a guarda" diante do ressurgimento da doença: "ninguém é invencível face ao coronavírus". 

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Nesta quinta-feira (30), um novo marco  da pandemia de Covid-19 foi ultrapassado, com mais de 17 milhões de casos de contaminação, incluindo cerca de 600.000 mortes, um total registrado desde o aparecimento da doença, em dezembro de 2019.

"Parece que a segunda onda de casos em alguns países se deve em parte aos jovens que baixam a guarda durante o verão no hemisfério norte", disse na quinta-feira o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS, lembrando que os jovens "não são invencíveis".

O confinamento de abril e maio nos Estados Unidos causou uma queda histórica no produto interno bruto no segundo trimestre, 32,9% em uma taxa anualizada. Comparado ao segundo trimestre de 2019, a queda é de 9,5%. Com esta segunda queda trimestral consecutiva, a maior economia do mundo entrou oficialmente em recessão. No primeiro trimestre, o PIB dos EUA havia caído 5%.

Donald Trump - cuja popularidade depende em parte da boa saúde econômica dos EUA - falou nesta quinta-feira, pela primeira vez, da hipótese de adiamento da eleição presidencial de novembro. Ele menciona, sem qualquer prova, os riscos de fraude relacionados à pandemia.

A Alemanha, o motor econômico da Europa, também anunciou quinta-feira uma "queda histórica" ​​de 10,1% de seu PIB no segundo trimestre. De abril a junho, o PIB também caiu acentuadamente na Bélgica, 12,2%, na Áustria, 10,7%, e no México, 17,3%.

Mais de 17.053.650 casos de Covid-19, dos quais 667.361 foram fatais, já foram declarados em 196 países, especialmente nos Estados Unidos, um dos mais enlutados (150.716 mortos), no Brasil (90.134) e no México ( 45.361), de acordo com um relatório estabelecido pela agência AFP a partir de fontes oficiais.

A progressão do vírus continua a acelerar: um milhão de casos adicionais foram detectados em quatro dias e mais de 6,5 milhões desde o início do mês.

"Mergulho histórico"

A Alemanha está passando por sua pior recessão desde o pós-guerra: sua contração do PIB é muito maior do que os 4,9% que experimentou no auge da crise financeira de 2009.

Os especialistas, no entanto, esperam uma recuperação acentuada: além das medidas de apoio nacional, Berlim pretende aproveitar o plano de recuperação europeu de € 750 bilhões, decidido pelos 27 Estados membros europeus em Bruxelas em meados de julho.

Enquanto isso, empresas de petróleo, fabricantes de aeronaves e fabricantes de automóveis estão pagando um preço muito alto, com perdas abismais no segundo trimestre: US$ 8,4 bilhões para a Total e US$ 18,1 bilhões para a Royal Dutch Shell anglo-holandesa, enquanto a Airbus registrou um prejuízo líquido de € 1,9 bilhão no primeiro semestre.

Todos os mercados europeus terminaram em queda acentuada na quinta-feira, atingindo os resultados corporativos e os indicadores econômicos piores do que o esperado. Frankfurt perdeu 3,45%, Londres 2,31% e Paris 2,13%.

Pandemia pelo mundo

Os Estados Unidos registraram quase 1.270 mortes adicionais em um dia na quarta-feira e mais de 68.000 novos casos. No Brasil, também foi registrado um número muito alto de novas contaminações em um dia, 69.074, segundo o Ministério da Saúde.

Michelle Bolsonaro, esposa do presidente brasileiro, testou positivo para a Covid-19, disse a presidência do Brasil nesta quinta-feira, dias depois que seu marido Jair Bolsonaro disse que ele estava recuperado.

Na Europa, os britânicos infectados ou com sintomas da doença terão agora que se isolar 10 dias, três a mais do que antes, para limitar possíveis transmissões.

O governador de Tóquio pediu na quinta-feira que restaurantes, bares e karaokês na capital japonesa fechem no início da noite, na tentativa de conter a pandemia que está se recuperando em seu país. Especialistas acreditam que a situação nesta metrópole "é mais grave do que antes", disse Yuriko Koike.

No litoral da Europa, a crise econômica e de saúde ligada ao Covid-19 "gera um fluxo excepcional de migrantes econômicos", alertou o Ministério do Interior italiano, exortando a União Europeia a abordar a questão "imediatamente". Mais de 11.000 migrantes desembarcaram na Itália na semana passada.

O INSEE, instituto de estatística francês, revelou quinta-feira que, entre o final de março e o início de abril, a epidemia gerou na Europa um pico de excesso de mortalidade de 50% em comparação com a média baseada no número de mortes na mesma semana entre 2016 e 2019. Esse excesso de mortalidade atingiu 60% na França, 155% na Espanha e 91% na Bélgica.

A Suécia, que até agora aplicou uma estratégia menos rigorosa do que o resto da Europa diante do coronavírus, recomendou o teletrabalho pelo menos até o Ano Novo na quinta-feira. Este país registrou 80.100 casos de Covid-19, incluindo 318 nas últimas 24 horas, um dos mais altos níveis de contaminação per capita na Europa.

 Na Espanha, não há segunda onda da pandemia, apesar de 1.129 novos casos registrados na quinta-feira, elevando o total de contaminações para 285.430, disse um alto funcionário do Ministério da Saúde da Espanha.

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