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Coronavírus: Argentina prolonga quarentena e adverte sobre reuniões sociais clandestinas

O presidente argentino Alberto Fernández anunciou a nona extensão da quarentena, a mais prolongada do mundo.
O presidente argentino Alberto Fernández anunciou a nona extensão da quarentena, a mais prolongada do mundo. AFP/Archivos
Texto por: Márcio Resende
3 min

O presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou a nona extensão da quarentena, a mais prolongada do mundo, que continuará, pelo menos, até 16 de agosto. Não há modificações nas restrições, apenas um maior controle e penalização de reuniões sociais clandestinas.

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Do correspondente em Buenos Aires

A quarentena argentina será mantida sem modificações, mas com mais controles, sobretudo no transporte público que continuará restrito às atividades consideradas essenciais, como para o pessoal da saúde.

"Até o dia 16 de agosto, vamos manter as coisas como estão hoje. Nos últimos dias, notamos que o vírus está circulando mais e detectamos maior quantidade de contágios, com mais internações e mais falecimentos", anunciou o presidente Alberto Fernández, a partir da residência oficial de Olivos, na região metropolitana de Buenos Aires.

Não haverá novas aberturas de atividades econômicas, mas as que já foram abertas, como pequenas lojas em ruas secundárias, poderão continuar. Nesta semana, depois de 131 dias de proibição, foram abertos, por exemplo, salões de beleza e cabeleireiros. Alguns profissionais como terapeutas e advogados puderam voltar a exercer.

Responsabilidade individual

A tônica do anúncio passou pela responsabilidade de cada cidadão. Ciente do cansaço social que implicam 133 dias de quarentena, sobretudo na região metropolitana de Buenos Aires, o presidente apelou ao comportamento individual.

"Eu os convoco a cuidar da vida e que o façamos por decisão própria. O esforço por abrir atividades obriga-nos a ter muita responsabilidade social", pediu, indicando que as flexibilizações em algumas atividades têm os seus custos.

"Entendamos que isso de acabar com a restrição tem esses custos, se não formos responsáveis", insistiu.

Contra as festinhas clandestinas

Alberto Fernández enfatizou a responsabilidade dos jovens que têm perdido o temor ao vírus e organizado festas clandestinas, driblando os controles da polícia. Numa mensagem direta a esse segmento social, pediu uma reflexão e advertiu sobre as consequências penais.

"Quero falar aos jovens a partir da minha alma, do meu coração. Sabemos que na juventude é importante a reunião com amigos. Também sinto saudade dos festivais, do futebol, do churrasco, mas não podemos. Peço, por favor, que façamos esse esforço e que nos ajudem. Peço que reflitam", apelou Fernández, apontando contra "reuniões e festas clandestinas e escondidas que são de alto risco".

O pedido veio acompanhado de uma advertência: "Peço a todos a máxima responsabilidade. Hoje vou assinar um decreto para proibir os encontros sociais e, quem fizer, pode ser penalmente responsabilizado por transmitir doença", avisou.

268 contagiados e quatro mortos por hora

A Argentina tem um acumulado de 185.373 infectados e 3.466 mortos. Apesar do título de "a mais estrita quarentena do mundo", cada vez mais a população desrespeita as restrições.

"Estamos num momento de crescente circulação do vírus que tem deixado uma preocupante média de 80 falecidos por dia", indicou Fernández.

O crescente número de contagiados, no entanto, não tem refletido num aumento da letalidade, que se mantém em 1,8%, metade da média da região. O número de leitos ocupados na área metropolitana de Buenos Aires, onde vivem 16 milhões de pessoas e onde se concentram 90% dos casos, continua em 64,5%.

"Temos cinco contágios por cada quarteirão da cidade de Buenos Aires. Isso demonstra o risco de circular. Zonas do interior do país são afetadas pela irradiação de Buenos Aires. A cada 24 dias, duplicamos a quantidade de falecimentos. Não quero que morra mais gente. Não é uma estatística para mim", descreveu.

Ao final do anúncio de extensão da quarentena, Fernández baseou-se nos números do dia anterior para uma nova advertência à população.

"Este anúncio durou 61 minutos. Enquanto durou, foram contagiados 268 argentinos e quatro morreram. Isso é o conoravírus. Não nos descuidemos. O problema não está superado", alertou.

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