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“Guerra das vacinas” antecipa acordos entre governos e laboratórios na luta contra a Covid-19

O laboratório francês Sanofi disse que trabalha com autoridades europeias para facilitar o acesso da Europa para uma eventual vacina contra a Covid-19.
O laboratório francês Sanofi disse que trabalha com autoridades europeias para facilitar o acesso da Europa para uma eventual vacina contra a Covid-19. REUTERS - Charles Platiau
Texto por: RFI
3 min

Sinal da intensa competição entre os Estados, os contratos para tentar garantir acesso a uma possível vacina contra a Covid-19 estão se multiplicando. O mais recente deles foi anunciado nesta sexta-feira (31) entre o laboratório francês Sanofi e o britânico GSK, num acordo com os Estados Unidos.

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A vacina em potencial, desenvolvida em conjunto pela francesa Sanofi e pela britânica GSK, e que deve ficar pronta em 2021, foi selecionada pelo programa norte-americano "Operation War Speed", informou a Sanofi em um comunicado.

O programa do governo dos EUA planeja garantir aos norte-americanos o acesso à vacina o mais rápido possível, por meio de vários acordos assinados com laboratórios. A Sanofi e a GSK receberão US$ 2,1 bilhões dos Estados Unidos em troca do fornecimento inicial de 100 milhões de doses aos norte-americanos.

A colaboração permitirá "financiar as atividades de desenvolvimento e o aumento das capacidades de fabricação da Sanofi e da GSK nos Estados Unidos para a produção da vacina", relatou a Sanofi.

O laboratório francês, que receberá a maior parte do financiamento do governo dos EUA, especificou que este último também dispõe de uma opção para o fornecimento de 500 milhões de doses extras a longo prazo.

Proteína recombinante

O produto de ambos os laboratórios se baseia na tecnologia de proteína recombinante usada pela Sanofi para produzir uma vacina contra a gripe e no adjuvante para uso pandêmico desenvolvido pela GSK.

O laboratório francês prevê lançar seu ensaio clínico de fase 1 e 2 em setembro, antes do estudo de fase 3 (a última etapa) até o final do ano, para uma aprovação que poderá ocorrer no primeiro semestre de 2021. O México foi indicado como um dos locais para os ensaios em grande escala da fase final.

Risco compartilhado

Antes deste novo acordo, os Estados Unidos já haviam gastado mais de US$ 6 bilhões desde março para financiar projetos competitivos, em laboratórios como Johnson & Johnson, Pfizer e AstraZeneca (de cujos ensaios o Brasil participou), e em duas pequenas empresas de biotecnologia, Novavax e Moderna.

"A carteira de vacinas incluídas no programa 'Operation Warp Speed' aumenta as chances de ter pelo menos uma vacina segura e eficaz até o final do ano", afirmou o secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, citado no comunicado da Sanofi.

Operações similares estão se multiplicando em todo mundo, uma vez que, na luta contra a pandemia, os laboratórios devem acelerar as etapas de desenvolvimento de uma vacina e preparar suas unidades de produção sem sequer conhecer os resultados dos ensaios clínicos, ou seja, sem saber se a vacina será um dia liberada.

Assinar acordos com os Estados lhes permite compartilhar os riscos e, em troca, os governos garantem o fornecimento de vacinas, se as pesquisas forem bem-sucedidas.

União Europeia também reservou lote da Sanofi

Também nesta sexta, a Comissão Europeia informou que reservou, em nome de seus 27 Estados-membros, 300 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 que está sendo preparada pela Sanofi.

O Executivo europeu também mantém "intensas negociações" com outros fabricantes, conforme declaração divulgada hoje. Na quarta-feira, Sanofi e GSK já haviam anunciado um acordo de 60 milhões de doses com o Reino Unido. As partes interessadas não revelaram o montante envolvido.

Essa competição gera muita polêmica, pois questiona o acesso à vacina dos países em desenvolvimento, que não têm os meios para financiar contratos tão grandes, e alimenta os temores de que sejam os últimos beneficiados.

Em meados de julho, o Conselho de Direitos Humanos da ONU adotou uma resolução, declarando que qualquer vacina contra a pandemia da Covid-19 deve ser considerada "um bem público global".

O órgão insistiu na necessidade de "acesso rápido, justo e sem obstáculos a medicamentos, vacinas, diagnósticos e terapias seguros, acessíveis, eficazes e de qualidade".

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