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Melbourne impõe toque de recolher, e moradores se perguntam “o que deu errado” na Austrália

Policias e soldados fazem a patrilha das ruas de Melbourne, após anúncio de toque de recolher noturno para controlar o contágio do coronavírus
Policias e soldados fazem a patrilha das ruas de Melbourne, após anúncio de toque de recolher noturno para controlar o contágio do coronavírus AFP
Texto por: Cristiane Capuchinho
4 min

Após atravessar maio e início de junho com uma dezena de casos positivos diários de Covid-19, a Austrália parecia ter conseguido superar a crise do coronavírus. No entanto, um surto em Melbourne, segunda maior cidade do país, levou o governo regional a mandar fechar comércios e restabelecer o confinamento pelas próximas seis semanas.

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O governo regional declarou o toque de recolher entre 20h e 5h, limitou os deslocamentos para compras de alimentos e materiais de primeira necessidade a 5 km no entorno da residência e apenas durante uma hora por dia.

Nesta segunda-feira (3), também foi anunciado o fechamento de todos os comércios, serviços e indústria não essenciais, o que deve tirar das ruas cerca de 1 milhão de trabalhadores, segundo estimativa do governo de Victoria. Cerimônias de casamento também foram proibidas.

Essa é a segunda etapa de restrições impostas aos moradores da região. Desde julho os australianos já tinham limitado seus deslocamentos e sido orientados a privilegiar o trabalho remoto para controlar o surto na região de Melbourne. O uso da máscara passou a ser obrigatório nas ruas, sob pena de multa de 200 dólares australianos (R$ 740).

Com restrições em seu cotidiano há cinco meses, os moradores de Victoria mostram sinais de cansaço e se perguntam o que aconteceu para terem de voltar a suas casas.

“É um clima de cansaço. A gente chegou tão perto. A gente estava podendo voltar a fazer as coisas aos poucos. Aonde erramos tanto para agora estar muito pior do que estava no começo. O estado nunca teve tantos casos, estamos batendo recordes”, conta a brasileira Suellen Smosinski, 32, que mora na cidade há mais de cinco anos.

Nesta segunda (3), a Austrália registrou 641 novos casos de contaminados e 8 mortes. Em 1° de julho, o país de 25 milhões de habitantes contava 7 mil casos e 100 mortes desde o início da pandemia. Um mês depois, este número mais que dobrou, ultrapassando os 17 mil doentes e 208 pessoas vítimas fatais no território australiano, segundo as estatísticas do Our World in Data.

O que deu errado?

O número de casos de coronavírus em Melbourne começou a subir em junho. A suspeita é que isso tenha acontecido por falhas no sistema de quarentena de quem chegava à ilha. Além de restringir a entrada na Austrália, os viajantes deveriam passar por uma quarentena de 14 dias isolados em hotéis. No entanto, funcionários dos hotéis começaram a ser contaminados.

Em julho, 9 mil casos foram registrados nessa região, o que levou o primeiro-ministro local, Daniel Andrews, a declarar estado de calamidade, o que permite uma ação mais incisiva da polícia no controle da população.

Os casos na região se concentram entre trabalhadores de abatedouros, de serviços de saúde e funcionários de varejo.

Na semana passada, Andrews afirmou que muitos empregados não estavam se ausentando de seus trabalhos, mesmo com sintomas, enquanto não sabiam o resultado de seus testes.

A decisão não é fácil para milhares de trabalhadores que ganham por hora trabalhada em múltiplos empregos para poder pagar suas contas ao final do mês.

Mais seis semanas

As novas restrições para a região de Melbourne devem durar mais seis semanas, indo até o meio de setembro.

"É duro, especialmente sabendo que, em outras partes do país, as pessoas têm bastante liberdade para sair e (aproveitar) uma vida praticamente normal", afirmou Tracy Skilling, 42, gerente de um café em Melbourne.

A falta de previsão sobre o futuro começa a pesar. "Antes eram seis semanas, agora são mais seis semanas que vão até setembro. A gente tenta não desanimar, mas dá para ver que tá todo mundo meio incrédulo e cansado", completa Smosinski.

(Com informações de agências internacionais)

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