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Navios humanitários se unem para retomar resgate de migrantes no Mediterrâneo

Os migrantes desembarcam do navio da ONG alemã Sea Watch3 em 8 de novembro de 2017 no porto siciliano de Pozzallo.
Os migrantes desembarcam do navio da ONG alemã Sea Watch3 em 8 de novembro de 2017 no porto siciliano de Pozzallo. Sea Watch/AFP/File
Texto por: RFI
5 min

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a ONG alemã Sea Watch anunciaram nesta quinta-feira (6) o lançamento iminente de uma missão conjunta para resgatar migrantes no Mediterrâneo, onde nenhum navio humanitário opera desde o início de julho.

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As duas organizações devem embarcar em um novo navio, o Sea Watch 4, atualmente atracado na Espanha, no porto de Borriana. "Esperamos poder deixar a Espanha por volta do dia 10 ou em meados de agosto", disse Hassiba Hadj Sahraoui, responsável por questões humanitárias na MSF, que fornecerá uma equipe médica para complementar a equipe do Sea Watch.

A missão é "essencial" porque "atualmente não há navios de ONGs no mar", lembrou. O último navio a retornar do Mediterrâneo central, o Ocean Viking – fretado pela ONG SOS Mediterrâneo – desembarcou na Sicília no início de julho com 180 migrantes, antes de ser imobilizado pelas autoridades italianas por "razões técnicas".

Antes dessa última missão, a MSF havia trabalhado por quatro anos com a SOS Mediterrâneo, período durante o qual as duas ONGs salvaram cerca de 30.000 pessoas que fugiam da Líbia. Quando chegam a este país mergulhado no caos e última etapa antes da Europa, os migrantes caem nas mãos de traficantes e milícias que agem com total impunidade.

Pandemia

Mas a crise sanitária causada pela Covid-19 marcou a separação entre as duas organizações humanitárias em abril. Movido pelo "imperativo humanitário", a MSF queria continuar os resgates apesar do fechamento dos portos italianos e malteses para migrantes, enquanto a SOS Mediterrâneo estimou, na época, que as condições de segurança não eram suficientes.

Nova parceira da MSF, a organização Sea Watch ficou conhecida pela atuação de sua ex-capitã do Sea Watch 3, Carola Rackete, que em junho de 2019 atracou à força na ilha de Lampedusa para desembarcar cerca de quarenta migrantes, apesar da proibição emitida pelas autoridades italianas.

Tal decisão "sempre cabe ao capitão", mas um cenário semelhante a bordo do Sea Watch 4 "não é excluído", confidenciou Hadj Sahraoui, enquanto o Ocean Viking teve que esperar 11 dias para encontrar um porto de desembarque em julho, o que causou grandes tensões no navio. Para a MSF, "a segurança das pessoas a bordo é a prioridade".

Navios imobilizados por autoridades italianas

A retomada dos resgates em junho causou novas tensões entre a Itália e as ONGs, que denunciam um "assédio" marítimo. Além do Ocean Viking, o Sea Watch 3 e o Alan Kurdi, pertencentes à organização alemã Sea Eye, estão atualmente imobilizados pelas autoridades.

"Apesar de seus esforços para nos impedir, não interromperemos as operações de socorro", disse Philipp Hahn, chefe de missão do Sea Watch 4, em comunicado conjunto com MSF. O novo navio, comprado com o apoio financeiro de uma aliança de cidadãos, United 4 Rescue, fundada pela Igreja Protestante alemã, "é a resposta categórica da sociedade civil à política racista da UE, que prefere deixar as pessoas se afogar em vez de chegar às costas da Europa", afirmou.

O ano de 2020 tem sido marcado por um aumento de embarcações no Mediterrâneo central, a rota migratória mais mortífera do mundo, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Entre o início de janeiro e o final de julho, as tentativas de travessia da Líbia aumentaram 91%, em comparação com o mesmo período do ano passado, representando 14.481 pessoas. "As saídas explodiram durante a crise da saúde, apesar de não haver ONGs no Mediterrâneo central", observou Vincent Cochetel, enviado do ACNUR para a região.

Naufrágio na Mauritânia

Cerca de 40 pessoas estão desaparecidas depois que uma embarcação com migrantes a bordo naufragou nesta quinta-feira na costa da Mauritânia, disse um funcionário da Acnur. Em um tuíte, o enviado especial da agência para o Mediterrâneo central, Vincent Cochetel, disse temer que eles estejam mortos e que uma pessoa da Guiné conseguiu sobreviver.

"Todos morreram, acredito. Sou o único sobrevivente", declarou o náufrago em seu leito do hospital na Mauritânia, explicou à agência AFP uma fonte de segurança mauritana que pediu anonimato. O funcionário de segurança disse que o naufrágio não ocorreu em águas mauritanas.

De acordo com o sobrevivente, o grupo tentou viajar de Marrocos para as Ilhas Canárias, na Espanha. Depois que os motores falharam, os passageiros supostamente saltaram em alto mar.

(Com informações da AFP)

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