Após reações, Reino Unido recomenda que alérgicos não tomem vacina da Pfizer contra Covid-19

O sistema de saúde inglês, NHS, recomendou que pessoas alérgicas não tomem a vacina Pfizer/BioNTech contra a Covid após dois casos de alergia no primeiro dia de vacinação
O sistema de saúde inglês, NHS, recomendou que pessoas alérgicas não tomem a vacina Pfizer/BioNTech contra a Covid após dois casos de alergia no primeiro dia de vacinação Frank Augstein POOL/AFP

No primeiro dia de vacinação contra a Covid-19 no Reino Unido, dois funcionários de serviços de saúde tiveram reações alérgicas graves após serem imunizados com o produto da Pfizer e da BioNTech. As duas pessoas, com histórico de reações alérgicas, foram atendidas no hospital e passam bem.

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Os dois tiveram de tomar adrenalina, medicamento adotado em casos de alergia que colocam a vida em risco.

Após a ocorrência, o sistema de saúde inglês (NHS) recomendou que pacientes que já tenham apresentado reações alérgicas graves a vacinas, remédios ou mesmo comidas não recebem a vacina da Pfizer contra Covid-19.

A recomendação, emitida pela agência de medicamentos do Reino Unido, cita como exemplos de reações graves aquelas que causam formigamento, inchaço, urticária, tonturas ou casos em que foi necessário o uso de epinefrina.

Pioneirismo

O Reino Unido é o primeiro país a autorizar a aplicação desta vacina e começou sua campanha de vacinação massiva na terça-feira (8). Os primeiros a serem imunizados são os idosos com mais de 80 anos e os trabalhadores da saúde.

Apesar da autorização urgente conseguida pela empresa para começar a vacinação no país, o chefe da Pfizer, Albert Bourla, garantiu na terça-feira que o prazo não reduziu os testes de segurança do imunizante.

A ocorrência de alergias a vacinas não é incomum, diversos imunizantes têm contraindicações para pessoas alérgicas a algum de seus elementos constituintes, como ovo para a vacina contra febre amarela.

Os testes da vacina Pfizer/BioNTech tinham registrado casos de reação alérgica em 0,6% dos voluntários imunizados.

O sucesso da vacinação britânica promete ser crucial para o governo de Boris Johnson, muito criticado por sua gestão da pandemia. O Reino Unido é o país europeu com maior número de vítimas fatais: mais de 62.000 mortos.

"Escolhas éticas, políticas e clínicas"

Questionado por um comitê parlamentar, o diretor médico da Inglaterra, Chris Whitty, estimou na quarta-feira que "três ou quatro vacinas" deveriam estar disponíveis em meados de 2021 no Reino Unido.

Segundo ele, haverá "importantes escolhas éticas, políticas, mas também clínicas" para determinar quem terá acesso a ela, depois de vacinados os 20 milhões de pessoas prioritárias, entre cuidadores e os mais vulneráveis. que as autoridades esperam ter alcançado até a primavera.

Diante da mesma comissão, a diretora da agência reguladora de medicamentos, June Raine, indicou que o órgão estava avaliando "intensamente e com grande rigor científico" a vacina desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade Britânica de Oxford.

A vacina de Oxford teve seus resultados publicados pela revista científica The Lancet na terça-feira. O estudo, o primeiro a ser revisado por cientistas independentes, confirma sua eficácia em 70% em média.

(Com informações da AFP)

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