Imprensa lamenta os 500 mil mortos pela Covid-19 nos EUA, mas tendência é otimista

Uma enfermeira no leito de um paciente com coronavírus em uma unidade de terapia intensiva no Providence St. Mary's Medical Center em Apple Valley, Califórnia, em 11 de janeiro de 2021.
Uma enfermeira no leito de um paciente com coronavírus em uma unidade de terapia intensiva no Providence St. Mary's Medical Center em Apple Valley, Califórnia, em 11 de janeiro de 2021. ARIANA DREHSLER AFP
Texto por: RFI
4 min

Os mais de 500 mil mortos por Covid-19 nos Estados Unidos foram destaque nos jornais franceses e do mundo nesta terça-feira (23). Um ano após o anúncio, em 29 de fevereiro de 2020, da primeira morte pela Covid-19 no país, o saldo da epidemia ultrapassou 500.000 mortes, segundo a contagem feita pela Universidade Johns-Hopkins.

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“Mais americanos morreram em um ano com esta pandemia do que durante a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã juntas”, disse Joe Biden, uma frase que foi estampada em todos os artigos sobre o triste recorde.

Um recorde “comovente”, de acordo com o presidente dos EUA. “Devemos resistir à tentação de ver cada vida como uma estatística. Devemos fazer isso para honrar os mortos”. Biden aproveitou para enviar um recado aos seus concidadãos: “Peço também que ajamos, que fiquemos vigilantes, que mantenhamos a distância, que usemos máscaras, que nos vacinemos".

Após observar um minuto de silêncio com a vice Kamala Harris e seus respectivos cônjuges, o presidente dos EUA também ordenou que as bandeiras em todos os prédios federais fossem colocadas a meio mastro durante quatro dias para marcar o meio milhão de mortes, disse a Casa Branca na noite de segunda-feira.

Exemplos

Esse número - meio milhão de mortos - está na primeira página da imprensa americana, que tenta dar exemplos para que os leitores possam entender melhor o que ele representa. O Washington Post, por exemplo, explica que em um ano a pandemia matou o equivalente à população das cidades de Atlanta ou Sacramento.

500.000 mortes, continua o jornal em seu site, equivale também a uma fila de ônibus de 50 passageiros, colocados um atrás do outro, ao longo de 150 km.

Os Estados Unidos contam com mais de 28 milhões de contaminações desde o início da pandemia.

O limite de 400.000 mortes foi ultrapassado em janeiro, às vésperas da posse de Biden. Ao contrário de seu antecessor, o republicano Donald Trump, que muitas vezes procurou minimizar a doença, Biden fez do combate à pandemia sua prioridade. O presidente alertou que o número de vítimas nos Estados Unidos pode ultrapassar 600.000.

Os Estados Unidos são o país mais afetado do mundo em termos absolutos pela pandemia.

Tendência otimista

Apesar das dramáticas perdas, a tendência no país é de forte queda.

Rochelle Walensky, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a agência federal de supervisão de saúde pública, informou que as mortes nos Estados Unidos estão em seu nível mais baixo desde dezembro, com uma queda de 39% na média dos últimos sete dias de novos casos diários. As internações estão a -15%.

Os Estados Unidos também têm muito menos contaminações. Após os picos em janeiro, quando o país registrou milhares de novos casos por dia, menos de 65.000 casos de coronavírus são detectados em média a cada semana. Os especialistas explicam isso em parte pelo melhor cumprimento das medidas sanitárias e pelo aumento no número de pessoas vacinadas.

Mau tempo atrasa vacinação

A campanha de vacinação foi, no entanto, atrasada devido às más condições meteorológicas. A onda de frio polar que atingiu os Estados Unidos por mais de uma semana dificultou a distribuição de seis milhões de doses da vacina.

De acordo com a Casa Branca, todos os estados do país são afetados, embora até agora o ritmo de vacinações seja animador, com 1,7 milhão de injeções em média por dia. Mais de 61 milhões de pessoas já receberam pelo menos uma dose das duas vacinas autorizadas, as da Pfizer-BioNTech e da Moderna. Elas agora são distribuídas em farmácias. “Essas vacinas são seguras”, “vá se vacinar quando for a sua vez”, mais uma vez martelou Joe Biden em sua conta no Twitter, na segunda-feira.

No mundo, o número de mortos se aproxima dos 2,5 milhões. Os países com mais mortos depois dos Estados Unidos são Brasil, México, Índia e Reino Unido. 

 

 

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