Linha Direta

Ban Ki-moon rejeita solução militar na Líbia para conter imigração

Áudio 04:42
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exortou neste sábado (25) o governo da Indonésia a não executar dez pessoas condenadas à morte por tráfico de drogas, entre elas o brasileiro Rodrigo Gularte, lembrando a oposição das Nações Unidas à pena de morte.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exortou neste sábado (25) o governo da Indonésia a não executar dez pessoas condenadas à morte por tráfico de drogas, entre elas o brasileiro Rodrigo Gularte, lembrando a oposição das Nações Unidas à pena de morte. Foto: Eskinder Debebe/ UN/ Fotos Publicas

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que bombardear os barcos líbios no Mar Mediterrâneo é um erro e se coloca contra uma solução militar. Ele encontrará, nesta segunda-feira (27), na Itália, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, para tratar da emergência imigração.

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Gina Marques, correspondente da RFI em Roma.

O encontro acontece quatro dias depois da reunião extraordinária dos chefes de governo da União Europeia sobre a crise migratória. Amanhã, Ban Ki-moon será recebido pelo Papa Francisco. Na semana passada, mais de mil imigrantes morreram em naufrágios no mar Mediterrâneo.

O encontro com Ban Ki-moon deve gerar declarações diplomáticas de boas intenções. A proposta do primeiro-ministro italiano está em alto mar, pois é considerada, na Itália e no mundo, como populista e inviável. Renzi propõe destruir as embarcações que partem da Líbia, país que é responsável por 90% da travessia ilegal.

Mas ele não apresentou um plano realista sobre a destruição destes barcos. O único modo seria bombardear com drones ou aviões militares, o que significa uma operação militar nos portos líbios. Para isso é necessária uma autorização das Nações Unidas, que inclui uma aprovação do Conselho de Segurança.

Em entrevista publicada ontem no jornal italiano La Stampa, o secretário-geral Ban Ki-moon declarou que bombardear os barcos líbios é um erro, que não existe solução militar e que é preciso ajudar os refugiados. Além da ONU, seria preciso o consentimento da Líbia para eliminar os barcos, caso contrário seria uma declaração de guerra. Declarar guerra a um país que já sofre uma guerra civil e que não tem um governo único é visto como impraticável.

Ban Ki-moon disse que é preciso analisar as causas do problema, a segurança dos direitos humanos dos imigrantes e refugiados e que a ONU está disposta a colaborar dando assistência.

Papa: “globalização da indiferença”

Depois da reunião da União Europeia, a Itália continua se sentindo sozinha porque é o país mais atingido pelo problema da imigração que vem do mar Mediterrâneo. A Grécia e Malta também fazem parte das fronteiras ao sul da Europa, mas a maioria dos imigrantes quer se estabelecer em outros países, por exemplo França, Alemanha e Suécia.

A Grécia sofre uma grande crise econômica e Malta é uma ilha, portanto a Itália representa um porto seguro e uma porta de entrada para o eldorado europeu.

Os líderes da União Europeia decidiram triplicar o financiamento da operação Triton, de € 3 para € 9 milhões por mês. Esta operação patrulha as fronteiras e, segundo as regras marítimas internacionais, pode socorrer náufragos transportando essas pessoas aos países mais próximos, entre eles a Itália.

O problema é que nenhum dos 28 países apresentou disponibilidade para receber os imigrantes. O tratado de Dublin de 1990 estabelece que os pedidos de asilo devem ser apresentados no país de ingresso. No caso da Itália, milhares de imigrantes continuam chegando, os centros de acolhimento estão superlotados e os pedidos de asilo sofrem uma longa burocracia para distinguir se uma pessoa imigra por motivos econômicos, políticos ou se foge de uma guerra. O papa Francisco definiu o problema como “globalização da indiferença”.

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