Tibete/Dalai Lama

Dalai Lama comemora 75 anos com festa na internet

O Dalai Lama festeja seu aniversário ao lado de milhares de pessoas na cidade de Dharamasala, na Índia
O Dalai Lama festeja seu aniversário ao lado de milhares de pessoas na cidade de Dharamasala, na Índia Reuters

O 14° Dalai Lama, líder religioso dos tibetanos, completa nesta terça-feira 75 anos. O religioso, que vive exilado na Índia há mais de 50 anos, comemora o aniversário com uma festa transmitida pela internet. Ele fugiu da China em 1959, quando tinha 24 anos.

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Com um governo estabelecido no exílio em Dharamsala, no norte da Índia, o Dalai Lama comemora os 75 anos rodeado de milhares de tibetanos. Escolas e empresas tibetanas de Dharamsala estão fechadas para celebrar a data. Do lado chinês, no entanto, os tibetanos estão proibidos de comemorar o aniversário do líder, que foi premiado com o Nobel da Paz em 1989. O Dalai Lama é proibido de regressar ao Tibete por ser considerado um separatista pelo governo de Pequim.

Entre a Índia, o Nepal e o Reino do Butão, a comunidade de refugiados tibetanos é estimada em mais de 150 mil pessoas. Como o líder religioso não pode estar ao lado de seus seguidores na diáspora, o jeito foi organizar a festa de aniversário pela internet. Assim, simpatizantes da causa tibetana na Europa e nas Américas também podem participar da comemoração.

A situação no Tibete está cada dia pior, segundo Tsewang Rigzin, presidente do Congresso dos Jovens Tibetanos, a maior organização não governamental entre os exilados na Índia. Os seguidores do Dalai Lama não têm direitos fundamentais básicos assegurados, não podem praticar a sua religião e não podem sequer ter uma foto do líder. A pena para quem é surpreendido com uma foto do Dalai Lama varia de seis a dez anos de prisão.

O diálogo do governo do Dalai Lama com Pequim dura há vários anos sem conseguir alcançar resultados práticos. Para os tibetanos que vivem no exílio, existe a esperança do regresso ao Tibete ainda durante a vida do atual Dalai Lama. Mas o governo chinês não aceita a fé do povo tibetano e olha para o líder religioso como principal razão para a oposição entre chineses e tibetanos. Enquanto prevalecer essa visão, há poucas chances de uma reaproximação entre os dois povos.

Maria João Belchior, correspondente da RFI em Pequim

Tsewang Rigzin, presidente do Congresso dos Jovens Tibetanos.

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