Afeganistão/Política

Afeganistão: legislativas em clima de tensão

Tropas americanas na província de Kandahar, no Afeganistão.
Tropas americanas na província de Kandahar, no Afeganistão. Reuters

Os talebãs ameaçaram perturbam o pleito que acontece neste sábado. Um dia antes das eleições várias pessoas já haviam sido sequestradas.

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Cerca de vinte pessoas já haviam sido raptadas em diversos pontos do país na véspera das eleições. Dois candidatos, oito membros da Comissão Eleitoral independente e dez agentes eleitorais foram capturados em poucas horas pelos talebãs, no norte, leste e noroeste do Afeganistão. Um cenário que demonstra que o clima de insegurança no país atingiu o auge, um dia antes das legislativas. No sul de Cabul, uma mesquita que seria utilizada como seção eleitoral foi atingida por um morteiro e não vai abrir as portas no sábado.

Os talebãs aconselharam a população a ficar em casa no dia da votação, ameaçando atacar as seções eleitorais.

Medo e ataques

A advertência dos talebãs já teve suas primeiras consequências: temendo que os eleitores sejam atacados, cerca de 1.019 seções eleitorais, de um total de 6.835, ficarão fechadas. Certos candidatos anunciaram que vão dar queixa, pois serão prejudicados com a falta de locais de voto em suas províncias. E mesmo se cerca de 300 mil militares e policiais afegãos, apoiados por 150 mil militares estrangeiros, estarão vigiando a votação, é certo que o clima de temor deve convencer uma parte dos cidadãos a ficar em casa.

A fraude também está correndo solta. Milhões de títulos de eleitor foram impressos no Paquistão e podem ser adquiridos com facilidade por todo o país.
As forças afegãs e a OTAN realizaram vários ataquesmatando um chefe talebã em Kunduz, no norte, e três insurgentes em Kandahar, no sul. Já na capital Cabul, o clima é de calma aparente, entre barragens erguidas pela polícia e revista de carros que circulam pela cidade.

Teste político

No plano internacional, estas legislativas serão acompanhadas com atenção pelo presidente Barack Obama que, em dezembro, deve rever a estratégia americana no país. Obama já começou a refletir sobre o ritmo e a dimensão da retirada das forças dos Estados Unidos do território.

A votação também é um teste para o presidente afegão Hamid Karzaï, cuja reeleição em 2009 foi marcada por "fraudes em massa", como definiu o representante especial da ONU para o Afeganistão, Staffan de Mistura.
 

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