Israel/Processo de paz

Netanyahu exclui suspensão total da colonização na Cisjordânia

Avraham Binyamin, colono judeu em Nablus, na Cisjordania.
Avraham Binyamin, colono judeu em Nablus, na Cisjordania. Reuters

No próximo domingo expira a moratória sobre a construção de novos assentamentos na Cisjordânia. Sob pressão internacional, Israel se disse pronto para um "compromisso", sem o qual as negociações de paz com os palestinos correm o risco de fracassar. Mas nesta sexta-feira o primeiro-ministro israelense voltou a excluir a suspensão total da colonização.

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A 48 horas do fim do prazo da moratória israelense para a construção de novas moradias nas colônias judaicas da Cisjordânia, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a excluir a suspensão total da colonização, uma exigência da Autoridade Palestina para continuar nas negociações.

Netanyahu sofre intensa pressão interna do lobby pró-colonização, que compõe a base de sustentação de seu governo no parlamento, e é obrigado a dar uma de equilibrista. Segundo um alto responsável israelense, Israel pode aceitar um compromisso, mas não pode prometer "zero construções" no território palestino. Esse mesmo responsável disse que os Estados Unidos, assim como Israel, buscam ativamente um compromisso satisfatório para as duas partes.

O chefe das negociações do lado israelense, Yitzhak Molcho, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, continuam nos Estados Unidos em contato com autoridades palestinas e americanas. Ehud Barak, representante do Partido Trabalhista, de centro-esquerda, na coalizão governamental de direita, pode de fato frear a colonização porque uma medida adotada recentemente devolveu ao Ministério da Defesa o poder de dar a última autorização para o início das obras.

A moratória, decretada há dez meses, abrange a Cisjordania ocupada, onde vivem 300 mil colonos israelenses, mas não envolve projetos imobiliários aprovados anteriormente em Jerusalém Oriental. Representantes de colonos israelenses na Cisjordania anunciaram que domingo à meia-noite eles vão lançar licitações de novos projetos imobiliários em terras palestinas.

O presidente Barack Obama reafirmou nessa quinta-feira, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, que a moratória deve ser prolongada. Obama também renovou o desejo de ver um Estado Palestino nas Nações Unidas no ano que vem.

 

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