Coreia do Norte/Sucessão

Coreia divulga primeiras imagens de provável sucessor de Kim Jong-Il

Coreia do Norte divulga imagem de Kim Jong-Un (à esquerda), provável sucessor de seu pai Kim-Jong-II (à direita, de óculos escuros).
Coreia do Norte divulga imagem de Kim Jong-Un (à esquerda), provável sucessor de seu pai Kim-Jong-II (à direita, de óculos escuros). Reuters

A Coreia do Norte divulgou nesta quinta-feira as primeiras fotos recentes de Kim Jong-Un, o  filho mais novo do líder do país, Kim Jong-Il, e considerado o sucessor do pai no poder. As imagens foram publicadas no dia em que as primeiras negociações militares entre as duas Coreias desde 2008 terminam sem avanços concretos.

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A Agência oficial de notícias do governo norte-coreano, KCNA, divulgou nesta quinta-feira uma foto de um grupo de dirigentes reunidos na capital Pyongyang no início da semana após uma conferência extraordinária  do partido comunista  supostamente organizada para tratar da sucessão na liderança do regime comunista. 

Entre as personalidades da primeira fila está líder Kim Jong–Il. O jornal do partido comunista Rodong Sinmun informou que no grupo está o filho mais jovem do ditador, sem, no entanto, indentificá-lo na fotografia.

“Acreditamos que ele é Kim Jong-Un”, afirmou Lee Jong-Loo, porta-voz do ministério da Unificação. Analistas afirmam que a nomeação de Jon-Un como vice-presidente da Comissão militar central e integrante da Comissão é um sinal evidente de que o processo de sucessão de poder na Coreia do Norte está em curso. Na reunião extraordinária do partido comunista o jovem de 27 anos também foi nomeado general "4 estrelas".

Especialistas indicam também que a Coreia do Norte pretende diminuir as tensões internacionais ao iniciar o processo de passagem de poder de Kim Jong-Il, de 68 anos e com uma saúde frágil, ao seu filho mais novo.
 

Negociações

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul, que retomaram na quarta-feira as primeiras negociações miiltares em dois anos, encerraram as discussões nesta quinta-feira sem nenhum progresso, segundo afirmou hoje o ministro sul-coreano da Defesa, Yonhap. Ele disse, ainda, que os negociadores não conseguiram marcar uma data para novas discussões.

Representantes dos dois lados se reuniram nesta quinta-feira, (noite de quarta-feira em Brasília), na cidade de Panmunjom, na zona desmilitarizada que divide a península coreana. A Coreia do Norte havia proposto o encontro principalmente para discutir a fronteira marítima no mar Amarelo, definida pela ONU no final da Guerra da Coreia, em 1953, e motivo de frequente tensão entre os dois países.

Já Seul pretendia, principalmente, pedir ao vizinho norte-coreano que se desculpasse e punisse os culpados pelo ataque ao navio de guerra Cheonan, no dia 26 de março, que causou a morte de 46 sul-coreanos. Uma investigação internacional atribuiu o ataque à Coreia do Norte, mas Pyongyang nega envolvimento.

São frequentes os incidentes envolvendo barcos na fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. O ataque à corveta Cheonan aumentou a tensão entre os dois vizinhos, mas no último mês tanto Seul quanto Pyongyang deram sinais de querer apaziguar a situação.

A Coreia do Sul enviou ajuda aos norte-coreanos depois das graves inundações do verão deste ano, foram retomadas as negociações para aproximar as famílias separadas pela guerra e, recentemente, a Coreia do Norte devolveu ao vizinho sul-coreano um barco de pesca que havia sido detido por um mês.

Apesar de mostrar sinais de boa vontade, a Coreia do Norte, que se retirou das negociações com a comunidade internacional sobre seu programa nuclear, afirmou na quarta-feira que « nunca » renunciaria a seu arsenal militar e até mesmo visa reforçá-lo, enquanto porta-aviões americanos estiverem próximos de sua costa.

 

 

 

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