ONU/Congo

ONU diz que crimes na República Democrática do Congo podem ser genocídio

Refugiados congoleses  no vilarejo de Eboko, no dia 23 de maio 2010.
Refugiados congoleses no vilarejo de Eboko, no dia 23 de maio 2010. AFP/Laudes Martial Mbon

Um relatório das Nações Unidas, divulgado hoje, inidca que crimes cometidos pelo exército de Ruanda e por outros países africanos na República Democrática do Congo podem ser considerados como genocídio. O governo de Ruanda rejeitou as acusações.

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Em um comentário oficial anexado ao relatório divulgado pelas Nações Unidas nesta sexta-feira, em Genebra, o governo de Ruanda rejeitou "com veemência o documento" e disse que as acusações são feitas sem provas suficientes. Outros países acusados, entre eles Burundi e Angola, também recusaram o relatório.

A ONU publicou o relatório final sobre os crimes cometidos na República Democrática do Congo entre 1993 e 2003 por militares de vários países, principalmente pelos exércitos de Ruanda e de Uganda.

O relatório acusa oito países e 21 grupos armados clandestinos de violações graves de direitos humanos cometidas na República Democrática do Congo, entre 1993 e 2003. Entre os países, estão Ruanda, Uganda, Burundi e Angola.

Os crimes mais graves teriam sido cometidos contra os refugiados hutus, incluindo mulheres e crianças, pelo exército nacional da Ruanda, dominado pela etnia rival tutsi.

De acordo com o relatório, "os ataques sistemáticos tinham como alvo o grande número de refugiados hutus ruandeses na República Democrática do Congo. Ataques que, julgados por um tribunal competente, poderiam ser qualificados como crimes de genocídio", acrescenta o documento. Em resposta, o governo ruandês classificou o relatório como "errado e perigoso" e que constitui um "insulto à História".

Já Uganda é acusada de vários crimes de guerra e contra a humanidade, entre eles, a paralisação das turbinas da barragem de Inga, responsável pela eletricidade de grande parte da cidade de Kinshasa, o que causou a morte de várias pessoas. O governo de Uganda também negou todas as acusações.

Outro país citado é Angola, acusado de proceder sistematicamente operações para executar todos aqueles considerados amigos dos seus inimigos.

O relatório com cerca de 500 páginas, é fruto de uma investigação realizada entre julho de 2008 e junho de 2009. A data de publicação já havia sido adiada por conta de várias controversas. Ao total, o relatório classifica 617 crimes graves, que mataram dezenas de milhares de civis na República Democrática do Congo, entre 1993 e 2003.

 

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