Cop 16

Reunião sobre clima termina com troca de farpas entre EUA e China

A conferencia sobre mudanças climáticas em Tianjin, China, reuniu representantes de cerca de 170 países.
A conferencia sobre mudanças climáticas em Tianjin, China, reuniu representantes de cerca de 170 países. Reuters

A última reunião preparatória para a COP 16, a Conferência do Clima das Nações Unidas que será realizada no início de dezembro, no México, terminou neste sábado com troca de farpas entre Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores do planeta.

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Novamente, os dois países se desentenderam quando o assunto foi a verificação internacional das ações de mitigação nos países em desenvolvimento e nos países desenvolvidos.

No final da reunião, o principal negociador norte-americano, Jonathan Pershing, disse que “pouquíssimos progressos foram feitos” em Tianjin, na China, onde estavam reunidos representantes de cerca de 170 países, entre eles o Brasil. O negociador admitiu que "os interesses dos dois países não coincidem" e acusou implicitamente Pequim por não fazer os esforços necessários para chegar a um acordo sobre a questão.

Pouco depois, o principal negociador chinês, Su Wei, rebateu, com veemência, as críticas. "Não é justo criticar os outros quando vocês mesmos não fazem nada. Sugiro, primeiro, que façam o seu trabalho para depois criticar os outros", afirmou o negociador durante coletiva à imprensa.

A proposta que começou a ser delineada na última conferência do Clima da ONU, realizada em dezembro do ano passado, em Copenhague, é a de que seria criado um órgão para acompanhar as ações internas de mitigação das mudanças climáticas realizadas pelos países em desenvolvimento. São as chamadas ações Mensuráveis, Reportáveis e Verificáveis (MRV), que servem como contrapartida voluntária aos compromissos de redução de emissões dos países desenvolvidos.

O problema é que os Estados Unidos, e outras nações ricas, querem que mesmo as ações para lutar contra as mudanças climáticas que não recebam financiamento externo passem por rigoroso processo de controle e verificação e tenham seus resultados cobrados internacionalmente. China e outros países em desenvolvimento consideram essa cobrança uma ingerência e defendem controles nacionais.

Já a secretária-executiva da Convenção do Clima, Christiana Figueres foi mais otimista e considerou que progressos foram feitos em Tianjin, entre eles a criação de um “Fundo Verde” para a transferência de tecnologia e para ajudar os países mais vulneráveis a se adaptar aos impactos das mudanças climáticas.

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