Alemanha/imigração

Alemanha aumenta pressão sobre imigrantes

A chanceler alemã, Angela Merkel
A chanceler alemã, Angela Merkel REUTERS/Thomas Peter

A Alemanha deverá aumentar a pressão sobre os estrangeiros que não se mostram dispostos a se integrar na sociedade do país. Berlim anunciou nesta segunda-feira que prepara um pacote de leis endurecendo o trato com os imigrantes de difícil adaptação.

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Entre as novas medidas estão previstas a penalização de casamentos forçados, comuns entre muçulmanos; assim como penalidades para estrangeiros que se negam a frequentar cursos de integração promovidos pelo Estado. O anúncio foi feito em meio a um acalorado debate em curso na Alemanha sobre integração de imigrantes, principalmente os originários de países muçulmanos, que são maioria entre os estrangeiros na Alemanha.

Neste final de semana, a chanceler Angela Merkel chegou a dizer que a tentativa da Alemanha de criar uma sociedade multicultural "fracassou completamente”. Merkel afirmou que permitir que pessoas de origens culturais diferentes vivam lado a lado sem integrá-las não funcionou num país que é atualmente lar para quatro milhões de muçulmanos. A declaração esquentou ainda mais os debates sobre imigração, que encontram opiniões diversas até mesmo dentro do próprio governo.

A controvérsia sobre estrangeiros na Alemanha começou com o lançamento de um livro do ex-membro da diretoria do Bundesbank, o banco central alemão. A obra acusa imigrantes muçulmanos de, entre outras coisas, contribuir para reduzir o nível intelectual da população alemã. O autor recebeu diversas críticas e foi afastado de seu cargo no Bundesbank. O livro, entretanto, está entre os mais vendidos do país e sondagens mostram que a maioria dos alemães concordam com a tese e temem a influência dos muçulmanos na sociedade alemã.

 

Marcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

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