Brasil/África

Brasileiro tem dívida cultural com africanos, diz Lula em Moçambique

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido pelo Presidente da República de Moçambique, Armando Emílio Guebuza na sua última visita oficial a Africa.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido pelo Presidente da República de Moçambique, Armando Emílio Guebuza na sua última visita oficial a Africa. Reuters

O presidente brasileiro disse que a presidente eleita, Dilma Rousseff, continuará dando destaque para a cooperação internacional com a África depois da posse. Ele deixou o país, em direção à Coreia do Sul, no fim da manhã desta quarta-feira.

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Lucas Bonanno, da agência Aids, especial para a RFI

A comitiva brasileira que acompanhou a visita oficial do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Moçambique deixou o país no final da manhã desta quarta-feira. Lula visitou as instalações da futura fábrica de antirretrovirais construída com apoio brasileiro na cidade moçambicana da Matola. Para a primeira fase do projeto, o governo brasileiro já disponibilizou cerca de 13 milhões de reais para a aquisição de equipamentos e formação de profissionais. Primeiro, a fábrica vai embalar os medicamentos, mas isso só deve acontecer no segundo semestre do próximo ano. Entre os resultados esperados, a partir de 2013, destaca-se a ampliação do acesso aos medicamentos para os pacientes que vivem com HIV em Moçambique, com a produção anual de 226 milhões de unidades farmacêuticas.

O presidente lamentou o fato da fábrica ainda não estar em funcionamento, já que na sua última visita ao país em 2008, ele disse que queria inaugurar este projeto antes do final do seu mandato. Apesar do investimento brasileiro, a contrapartida moçambicana para o projeto demorou mais que o esperado para sair. Agora, o governo moçambicano já comprou o local onde a fábrica está sendo construída e a mineradora Vale, com sede no Brasil e atuante na exploração de carvão mineral em Moçambique, anunciou que irá contribuir com cerca de 7 milhões de reais para ajudar na finalização do projeto.

O presidente brasileiro disse que a fábrica irá libertar o povo moçambicano da dependência dos laboratórios estrangeiros. Lula também agradeceu ao presidente Armando Emílio Guebuza a hospitalidade do povo moçambicano, e reforçou a dívida que o Brasil tem com o continente africano na formação da cultura e da raça brasileira.

O povo brasileiro é parecido com o africano, diz presidente
 

Na noite desta terça-feira, durante um jantar oferecido pelo presidente Armando Armando Emílio Guebuza, Lula afirmou que sua sucessora Dilma Rousseff continuará dando destaque para a cooperação internacional com a África. Ontem, ele também deu uma aula magna na universidade de Moçambique, a primeira a integrar a universidade aberta do Brasil. "O povo brasileiro tem muitas semelhanças com o povo africano", disse o presidente,  durante a visita.  "É um povo bonito, alegre, que gosta de futebol, graças à nossa mestiçagem. Agora, o que queremos para a África, é que as pessoas erguam a cabeça e construam juntos um futuro, onde o sul não depende mais do norte."

De Maputo, Lula já viajou para a Coreia do Sul, Seul, para uma reunião do G-20, que começa nesta quinta-feira. A presidente eleita Dilma Rousseff também chega nesta quarta-feira ao país para encontros bilaterais e preparatórios. Lula e Dilma devem se reunir com o presidente francês Nicolas Sarkozy, na sexta-feira. Na pauta, a licitação do governo brasileiro para a compra de 36 caças. A França concorre com os caças Rafale, rivalizando com a norte-americana Boeing e a sueca Grippen.
 

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