Aliança militar ocidental

Lisboa recebe cúpula da Otan com rigoroso esquema de segurança

Sob forte esquema de segurança e protestos de ativistas, tem início nesta sexta-feira em Lisboa a cúpula da Otan.
Sob forte esquema de segurança e protestos de ativistas, tem início nesta sexta-feira em Lisboa a cúpula da Otan. Reuters

Integrantes de ONGs que iriam manifestar contra a reunião de líderes dos 28 países que compõem a aliança militar ocidental foram impedidos de entrar em Portugal. A cúpula começa nesta sexta-feira com desafio de definir estratégia para o século XXI, discutir retirada progressiva do Afeganistão e normalizar relações com a Rússia.

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O governo português organizou um rigoroso esquema de segurança para evitar protestos como os que ocorreram na última cúpula, em Estraburgo, na França. Lisboa amanheceu, nesta sexta-feira, chuvosa e literalmente blindada para hospedar, durante dois dias, a reunião da Otan ou Nato (a sigla em inglês usada pelos portugueses para Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Cerca de dez mil pessoas estão envolvidas nas operações de segurança que incluíram o fechamento temporário das fronteiras de Portugal e de boa parte do espaço aéreo para receber os chefes de estado de 28 países, 33 ministros de defesa, cinco mil representantes das respectivas comitivas e mais de 2.500 jornalistas.

Cento e cinquenta pessoas foram proibidas de entrar no país por questões de segurança por serem consideradas "de risco". Grande parte é formada por chefes de organizações pacifistas que estariam organizando uma contra-cúpula paralela ao evento. Dezessete deles foram inclusive presos por precaução.

Os manifestantes estrangeiros estão classificando as medidas como absurdas e repressivas. Eles dizem que é a primeira vez que foram impedidos de entrar em um país europeu para participar de manifestações pacíficas.

"Nunca vi um aparelho de segurança tão grande em um evento da Aliança Atlântica. Sinal de que os serviços de informação temem alguma ameaça", afirmou uma jornalista polonesa que acompanhou várias reuniões da organização.

Apesar do reforço na segurança, são esperadas cerca de 20 mil pessoas na manifestação que está prevista para este sábado nas principais avenidas do centro de Lisboa. Partidos de esquerda organizam vários eventos para protestar contra a organização da cúpula em Portugal, em um momento em que o país atravessa uma das suas piores crises econômicas e está a um passo de pedir ajuda internacional.

Colaboração da correspondente da RFI em Lisboa, Adriana Niemeyer.

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