China/Clima

China admite pela primeira vez ser o maior poluidor do planeta

A poluição na China vem crescendo no mesmo ritmo que seu boom econômico. Nesta, fábrica de aquecimento na cidade de Beijing.
A poluição na China vem crescendo no mesmo ritmo que seu boom econômico. Nesta, fábrica de aquecimento na cidade de Beijing. Reuters

O governo chinês reconheceu oficialmente nesta terça-feira que o país é o que mais emite os gases que provocam o efeito estufa e considerados os principais responsáveis pelo aquecimento global.

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“A partir de agora somos o país que ocupa o primeiro lugar em volume de emissão (de gases)", disse o principal negociador chinês sobre o clima, Xie Zhenhua, em entrevista coletiva em Pequim nesta terça-feira. Até então, as autoridades chinesas não admitiam abertamente a condição de "poluidor número 1" do planeta como afirma a comunidade científica e organizações internacionais como a Agência Internacional de Energia (AIE).

O governo chinês sempre defendeu o cálculo baseado no volume de emissões por habitante, o que faz o país de 1,3 bilhão de pessoas ficar ligeriramente atrás dos países desenvolvidos. O tema continua tão sensível que a frase pronunciada pelo negociador chinês sobre o clima foi retirada da transcrição oficial da entrevista coletiva.

No encontro com jornalistas, Xie Zhenhua afirmou que cabe principalmente aos países desenvolvidos, e particularmente aos Estados Unidos, desempenhar o "papel principal" nas negociações sobre o combate às mudanças climáticas. Ele afastou a hipótese de que essa responsabilidade recaia sobre a China.

Cancún

A China e os Estados Unidos, responsáveis por cerca de 50% das emissões dos gases que provocam o efeito estufa, são considerados os países-chaves nas próximas reuniões sobre o Clima, embora os chineses insistam no seu status de país em desenvolvimento para diminuir as pressões sobre Pequim.

Mais de 190 países se encontrarão entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro em Cancún, no México, para tentar chegar a um acordo de redução da emissão dos gases responsáveis pelo aquecimento global. O encontro acontece um ano após o fracasso das negociações de Copenhague onde os líderes mundiais não chegaram a um acordo para substituir o protocolo de Quioto que expira em 2012.

 

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