Atentado/Egito

Atentado visando cristãos mata mais de 20 pessoas no Egito

O carro-bomba explodiu em frente a uma igreja em Alexandria, no norte do Egito.
O carro-bomba explodiu em frente a uma igreja em Alexandria, no norte do Egito. Reuters

Um carro-bomba explodiu em frente a uma igreja em Alexandria, no norte do Egito, quando os fiéis deixavam a missa de Ano Novo. O atentado visava a minoria cristã do país. Nenhum grupo terrorista reivindicou o ato até agora, mas as autoridades egípcias apontam os extremistas da Al-Qaeda como possíveis autores.

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A explosão aconteceu pouco depois de meia-noite diante de uma igreja copta, a minoria cristã do Egito. De acordo com o ministério da Saúde local, pelo menos 21 pessoas morreram e 79 ficaram feridas.

Cerca de mil fiéis assistiam à missa de Ano Novo na igreja dos Santos. O carro com os explosivos estava estacionado diante do templo. A polícia ainda investiga para saber se as bombas estavam dentro do carro ou se foram apenas colocadas sob o veículo durante o culto. A igreja dos Santos já havia sido vítima de um ataque em 2006. Na época, um homem entrou no templo e esfaqueou vários pessoas.

Logo após o atentado o presidente egípcio, Hosni Mubarak, pediu a união de cristãos e muçulmanos face ao terrorismo. Durante sua missa de Ano Novo o papa Bento 16 também criticou o episódio. A França, por meio de um comunicado do ministério das Relações Exteriores, condenou o atentado, lembrando a importância das liberdades fundamentais, como a liberdade religiosa.

As autoridades do país suspeitam da participação da Al-Qaeda no atentado deste sábado. O braço iraquiano do grupo terrorista ameaçou recentemente os copta do Egito.

Minoria discriminada

Pouco depois da explosão dezenas de manifestantes atacaram uma mesquita situada na mesma rua. Cristãos e muçulmanos se confrontaram atirando pedras e garrafas. A polícia teve que intervir com bombas de gás lacrimogêneo para afastar os protestantes.

O bairro de Sidi Bishr, onde se situa a igreja dos Santos, registrou vários confrontos entre as duas comunidades nos últimos dois anos. Representando 10% da população do país, os copta do Egito são o mais importante grupo católico do Oriente Médio, uma região onde as tensões entre cristãos e muçulmanos são constantes. Em janeiro de 2009, durante as celebrações do Natal ortodoxo, sete coptas foram mortos, metralhados em um ataque contra uma igreja no sul do país.
 

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