Paquistão

Guarda-costas mata governador paquistanês da província do Punjab

Policiais investigam o local do assassinato do governador da Província de Punjab, no Paquistão.
Policiais investigam o local do assassinato do governador da Província de Punjab, no Paquistão. Reuters

O governo do Paquistão decretou luto nacional de três dias no país, após o assassinato do governador da província estratégica de Punjab, Salman Taseer. Ele foi morto por um de seus seguranças, em Islamabad.

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Segundo o ministro do Interior do Paquistão, Rehman Malik, o autor do disparo confessou o crime e entregou sua arma à polícia. Ele era um dos seguranças do governador e teria dito que matou Salman Taseer porque ele defendia o fim da lei que pune quem comete blasfêmia.

O crime contra o governador aconteceu perto da casa dele, na capital Islamabad. Taseer era membro do partido governista PPP, que enfrenta uma grave crise com seu adversários. O primeiro-ministro Yousuf Raza Gilani começou ontem a negociar com a oposição para se manter no governo. Ele perdeu a maioria no parlamento com a saída de um importante partido aliado no último domingo.

Motivação religiosa

Em novembro, o governador havia recebido em seu gabinete uma dona de casa cristã, Asia Bibi, de 45 anos, condenada à morte por blasfêmia contra o islamismo, a religião muçulmana. A mulher explicou ao governador que ela não havia ofendido as crenças muçulmanas e estava sendo vítima de uma perseguição dos vizinhos. Taseer, que pertencia ao mesmo partido do presidente Asif Ali Zardari, acabou intercedendo a favor da mulher junto do presidente para pedir clemência. No entanto, uma semana mais tarde, a justiça paquistanesa proibiu o chefe de Estado de se pronunciar sobre o caso. Paralelamente, um líder religioso muçulmano de Peshawar, próximo dos talibãs, ofereceu uma recompensa de US$ 5.800 para quem matasse a cristã.      

Muitos consideram que a pena de morte para os crimes de blasfêmia é utilizada no Paquistão em acertos de contas pessoais sem qualquer ligação com a religião muçulmana. O país, de maioria muçulmana, conta com apenas 4% de cristãos em sua população e vive um recrudescimento do terrorismo islâmico.

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