Iraque/Resistência

Líder xiita pede resistência contra a ocupação dos EUA no Iraque

Moqtada al Sadr fez um discurso diante de mais de 20 mil pessoas em Najaf.
Moqtada al Sadr fez um discurso diante de mais de 20 mil pessoas em Najaf. Reuters

Diante de uma plateia de 20 mil pessoas, o chefe rebelde Moqtada al Sadr pediu que seus seguidores resistam contra a presença norte-americana no país. Esse foi o primeiro discurso do líder xiita desde seu exilío voluntário de quatro anos.

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O discurso foi feito neste sábado na cidade sagrada de Najaf, a 150 km da capital, menos de uma semana após seu retorno ao país. Durante seu pronunciamento, Moqtada al Sadr disse que os iraquianos devem resistir "sempre contra o ocupante, pela resistência militar e por todos os meios". O líder xiita estava em silêncio desde que se exilou voluntariamente no Irã há quatro anos.

Sadr também pediu que os iraquianos não ataquem outros iraquianos. "Nosso braço não tocará os iraquianos. Nosso único alvo será a ocupação. Somos um povo e não estamos de acordo com grupos responsáveis por assassinatos". O clérigo pediu ainda que o povo dê uma chance ao novo governo do Iraque. No mês passado, o grupo político liderado por Sadr integrou a coalizão com o novo governo, com participação em seis ministérios e 39 cadeiras no Parlamento, entre elas a vice-presidente.

Mesmo após o fim das atividades da milícia Exército de Mahdi, Sadr ainda é um poderoso líder politico no Iraque. Ele teve um papel importante no processo de formação do novo governo de união nacional do país.

Filho de uma família de líderes xiitas, Sadr esteve à frente da resistência formada contra a ocupação iraquiana feita pelas forças da coalização lideradas pelos Estados Unidos em 2003. Em pouco tempo o Exército do Mahdi se tornou, como seus 60 mil combatentes, a milícia mais poderosa do Iraque. Após terem sido enfraquecidos em violentos confrontos com as forças norte-americanas, o grupo diminuiu suas atividades e Moqtada al Sadr se exilou no Irã, onde se dedicou aos estudos religiosos. No entanto, Washington não minimiza a influência do chefe xiita no Iraque.
 

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