Tunísia/Protestos

Ministro do Interior da Tunísia é demitido em meio à revolta social

Cerca de 200 pessoas se reuniram em frente à Embaixada da Tunísia em Paris, nesta terça-feira.
Cerca de 200 pessoas se reuniram em frente à Embaixada da Tunísia em Paris, nesta terça-feira. Reuters

Após um mês de manifestações violentas na Tunísia contra o aumento do custo de vida, foi anunciada, nesta quarta-feira, a demissão do ministro do Interior, Rafik Belhaj. O primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi anunciou ainda a libertação de todas as pessoas detidas durante os protestos.

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A situação segue tensa na Tunísia. Pela primeira vez desde o início dos protestos no país, em dezembro, os violentos confrontos entre policiais e manifestantes ganharam a periferia da capital Tunis, na noite desta terça-feira. O governo enviou, na quarta-feira de manhã, blindados e soldados armados. A polícia usou bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para tentar dispersar os manifestantes que protestavam em um bairro a 15 quilômetros do centro da capital.

Jovens e universitários tunisianos continuam desafiando o governo do presidente Ben Ali, há 23 anos no poder, apontado como promotor de um falso milagre econômico na Tunísia.

Em uma entrevista coletiva à imprensa na capital, nesta quarta, o primeiro-ministro tunisiano, Mohamed Ghannouchi, anunciou a demissão do ministro do Interior, Rafik Belhaj, e avisou que vai libertar todos os manifestantes detidos durante os confrontos, sem informar o número.

Reação da comunidade internacional

A União Europeia condenou, nesta quarta-feira, o uso "desproporcional" da força pela polícia tunisiana. Com um tom mais moderado, o governo francês, que tradicionalmente se mostra prudente ao tomar posições contra o regime de Ben Ali, lamentou a onda de violência no país.

Em visita a Dubai, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse estar preocupada com a reação das autoridades tunisianas e fez um apelo para que o governo encontre uma "solução pacífica" para o conflito.

Pelo menos 21 pessoas, segundo as autoridades, e 50, segundo organizações e sindicatos, teriam morrido desde o início dos embates. Segundo um representante sindical, a situação em Kasserine, a principal cidade do centro do país, era caótica nesta terça-feira. A falta de alimentos provoca saques ao comércio.

Esses são os mais violentos protestos sociais na Tunísia dos últimos 23 anos. As manifestações tiveram início em meados de dezembro, depois que um vendedor ambulante ateou fogo ao próprio corpo para protestar contra a polícia, que havia confiscado sua mercadoria. Desde então, os protestos se multiplicam na Tunísia.

Comitê vai investigar corrupção

O presidente Ben Ali classificou as manifestações de "atos terroristas", mas prometeu criar 300 mil novos empregos até 2012. O desemprego no país segue elevado, principalmente entre os jovens e universitários, e a fratura social se agrava entre a população e a elite do país.

Partidos de oposição e várias ONGs denunciam a corrupção no governo. Em reação às críticas, o primeiro-ministro tunisiano, Mohamed Ghannouchi, anunciou, nesta quarta-feira, a criação de um comitê que vai investigar as suspeitas de corrupção.
 

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